Há uma tese de que o WikiLeaks vai ser usado como desculpa ou ferramenta para aumentar o vigilantismo da rede. Parece que os fatos estão comprovando-a.
Da Folha de São Paulo
O ex-senador Heráclito Fortes (PI), do DEM, está entre as fontes da
diplomacia americana que tiveram a identidade revelada nos quase 134
mil telegramas vazados recentemente pelo site WikiLeaks.
Apesar de seu nome estar seguido pela orientação "proteger
estritamente", o documento foi publicado na íntegra pelo site. Assim
como o dele, mais de 90 nomes foram divulgados indevidamente, segundo
levantamento da agência Associated Press.
Em um telegrama ao Departamento de Estado em abril de 2008, o então
embaixador dos Estados Unidos no Brasil Clifford Sobel narrou conversa
que teria mantido com Fortes em 28 de março.
Nela, o então presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa do
Senado teria dito estar "profundamente preocupado" com sinais de
terrorismo no Brasil.
A Sobel, ele citou uma reportagem da revista "Isto É", sobre o
treinamento de homens para a luta armada nos moldes das Farc (Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia) em Rondônia.
"Fortes disse ter certeza de que há envolvimento estrangeiro,
possivelmente até das Farc, na LCP (Liga dos Camponeses Pobres)",
afirma Sobel no telegrama, vazado em julho passado. Fortes negou à
Folha que tenha tido essa conversa.
"Esse assunto foi discutido na Comissão de Relações Exteriores e devia
ter gente dele lá. Mas eu não conversei com ele. Não é um tema que eu
trataria com o embaixador americano", disse.
O então senador teria dito ainda que a CPI das ONGs tinha informação de
que o Centro Piauiense de Ação Cultural (Cepac), com sede em Teresina,
possuía "possíveis conexões terroristas".
Procurado pela
Folha, Sobel não foi encontrado.
Troca de acusações
Nos últimos dias, a divulgação de que telegramas obtidos pelo WikiLeaks
circulavam na internet sem qualquer edição -e revelando nomes que
tinham o sigilo pedido nos documentos- gerou duras críticas dos
governos envolvidos.
O WikiLeaks negou ser o responsável pelo vazamento e acusou ontem o
jornalista David Leigh, do britânico "Guardian" pela publicação de uma
senha que levou aos telegramas na íntegra.
"Leigh, de forma imprudente e sem a nossa aprovação, divulgou
conscientemente as senhas descriptografadas em um livro publicado pelo
Guardian", acusou o site, em nota. O jornal se defendeu: "O livro
continha uma senha, mas não a localização dos arquivos." O documento
com o nome de Fortes, no entanto, pode ser encontrado no site oficial
do WikiLeaks.
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