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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

#ForaMicarla e a cegueira espiritual do Diante do Trono

Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles.
E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.
Mateus 4:8-9


Ouvindo o testemunho de Micarla, dado no Congresso de Mulheres na Igreja Batista da Lagoinha - depois de ficar enauseado -, me lembrei do texto acima.
Como evangélico temo e me envergonho, muitas vezes, pelas relações com o poder que nossas igrejas fazem questão de estabelecer.
Lembro que cerca de vinte anos atrás um pastor falava sobre uma proposta que havia recebido de um membro da bancada evangélica no Congresso - em troca do apoio ao presidente Collor, uma concessão de tevê.  A proposta soou ao pastor como a tentação de Jesus, citada acima.
Lembrei desse texto porque, ao menos no que se refere à política no RN, o depoimento de Micarla de Sousa me mostra uma Ana Paula Valadão absolutamente enebriada com a proximidade com o poder.  O fato de circular em Natal com um vereador da bancada evangélica e com uma prefeita que agora assumiu a fé evangélica fez da líder do Diante do Trono uma pessoa cheia de certezas - que nem sempre se podem confirmar.
Será integralmente verdadeiro o testemunho de Micarla?  Se for, Micarla mentiu à cidade quando escondeu sua doença.  Mas parece que não é.  Consta que a prefeita permaneceu 24 horas no hospital por causa da arritmia em junho - não os três dias de UTI, conforme ela relata.  
Além disso, o cenário que a prefeita pinta é de uma perseguição implacável, inclusive a seus filhos.  Isso, sabemos, não é verdade em nenhum contexto do #ForaMicarla.
Parece mais provável que a prefeita tenha floreado substancialmente seu testemunho, mas o que mais me incomoda é com uma certa cegueira espiritual que acomete o pessoal de Belo Horizonte.  Suas referências são Micarla e Albert Dickson - justamente aquele que recebe [muito] dinheiro da prefeitura em sua clínica.  Nenhum deles se preocupou, ao que parece, em perguntar à cidade o que é a gestão da borboleta. E agora que as operações Hefesto e Pecado Capital bateram à sua porta?
Será que não perceberam que houve, sim, uma manifestação de Deus por ocasião da gravação do CD/DVD Sol da Justiça em Natal?  Que tudo que deu errado poderia ser visto a partir da perspectiva de que a proximidade com o poder enebria?  Que a mosca azul não é muito divina?  
Será que os mais de 80% da população de Natal que avalia pessimamente a gestão, inclusive evangélicos como eu, estão tomados pelas trevas, e só Micarla salva e certa?  
Estou certo que não - ainda mais quando fica ainda mais definido e claro que não foi um partido que chegou ao poder em 2009, mas sim uma verdadeira organização.  
O Sol da Justiça há de brilhar em Natal.

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