Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Conversei há pouco com Carlos Fialho sobre o episódio envolvendo autores
potiguares e a venda nas livrarias Siciliano. Ele acredita que o maior
problema é que faltou sensibilidade no trato da questão por parte da livraria.
Fialho contou que no mês de agosto recebeu um telefonema da administração
local da Siciliano informando que as lojas passariam por um inventário por
parte da matriz. Por isso, pediam que os Jovens Escribas recolhessem os
volumes à venda, uma vez que nessas ocasiões, segundo disseram, sempre há
problemas com o cadastro de autores locais. Na Siciliano, o cadastro dos
livros publicados por editoras nacionais é feito pela matriz. Até então
os autores locais eram cadastrados a partir das lojas. Em virtude do
inventário, os livros passariam o mês todo fora, podendo voltar a ser vendidos
em setembro.
No dia 25 de agosto, na loja da Siciliano do Natal Shopping foi lançado o
último livro de Clotilde Tavares, O verso e o briefing, publicado pelo
selo Jovens Escribas. A loja ficou com dez exemplares do livro para venda
- Fialho aceitou porque faltava apenas uma semana para chegar setembro e a
restrição ser removida.
No entanto, na última sexta-feira, 02 de setembro, ao ver a reclamação, no
twitter, de uma cliente que não conseguiu comprar o livro de Clotilde, Fialho
resolveu telefonar para a Siciliano. “Fui
informado que a matriz decidiu prorrogar a restrição pelo menos pelo mês de
setembro”, disse Fialho.“Aí eu dei a
informação no twitter”, completou.
Fialho revelou que os Jovens Escribas pretendem fazer com que seus livros
possam ser distribuídos via a matriz em São Paulo, para evitarem nova situação como essa.
Sobre as dificuldades que essa nova
postura da Siciliano impõem sobre autores regionais sem muita estrutura de
publicação – que precisarão se cadastrar diretamente com a matriz –, o manager dos Jovens Escribas acredita que
as lojas fatalmente continuarão a cadastrar os autores regionais localmente. “A venda do autor local será mantida porque
tem um grande retorno, principalmente nas noites de lançamento”, disse Fialho.
Questionei a Fialho sobre os tantos livros de autores potiguares que ainda
estiveram à venda na Siciliano, apesar da restrição imposta. A informação que Fialho tinha é que os livros
de autores potiguares distribuídos por editoras nacionais continuaram sendo
vendidos normalmente – como é o caso de Clotilde Tavares, cujos títulos
publicados pela Editora 34 e Cortez estavam sendo vendidos normalmente.
Acho que Fialho não quis alimentar uma polêmica já desnecessária, até
porque, como disse, a “reclamação [feita pelo twitter] surtiu efeito” e a
livraria voltou atrás a partir da repercussão que o caso teve. Mas me soa ainda estranho o fato de que
diversos autores – mesmo com publicação independente – não foram recolhidos e não
tiveram restrição de venda. Pelo que
pude entender, a restrição foi dirigida contra qualquer um que quisesse pôr uma
nova publicação à venda e aos livros publicados por editoras locais ou, o que
seria pior, apenas os publicados pelos Jovens Escribas.
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