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| Os cartéis mexicanos acabaram se tornando os principais beneficiados da operação dos EUA |
Do Opera Mundi
O objetivo era investigar o tráfico de armas dos Estados Unidos para
organizações criminosas mexicanas. Mas a operação "Fast and Furious"
(Velozes e Furiosos), orquestrada pelo ATF (Departamento de Álcool,
Tabaco e Armas de Fogo dos EUA, na sigla em inglês), em 2009, acabou
sendo um enorme fracasso. E, após recentes revelações de congressistas
norte-americanos, tem potencial para se tornar um dos maiores
escândalos da administração de Barack Obama.
A
ideia era vender, de forma controlada, armas norte-americanas de alto
calibre a membros de cartéis de drogas. Com isso, os agentes de
segurança dos EUA esperavam rastrear o armamento no México até os
chefões do tráfico e desarticular as sofisticadas redes de criminosos.
Só que o plano não saiu como o esperado: cerca de duas mil armas
sumiram do radar dos EUA e hoje circulam livremente em território
mexicano.
Grande parte das armas oriundas da operação da ATF,
instituição cujas ligações com o lobby de produtores de armas
norte-americanos são investigadas, foi vinculada com mais de 200
delitos no México, entre eles o assassinato do agente da Patrulha da
Fronteira Brian Terry, em 14 de dezembro de 2010, morto com um AK-47.
A
pergunta que as autoridades nos EUA e no México agora se fazem é: de
quem é a culpa? Com o passar dos meses, seguem saindo elementos cada
vez mais assombrosos, que revelam aspectos inquietantes da operação.
Agentes da ATF admitiram a periculosidade da falha, acusando superiores
de terem tomado decisões incorretas. Porém, nesta terça-feira (27/09),
o tema ganhou novo fôlego com revelações feitas por uma comissão
investigadora do Congresso dos EUA sobre o caos entre a ATF e a DEA
(Força Administrativa de Narcóticos, na sigla em inglês) e o FBI.
Segundo as investigações dos congressistas, a falta de
comunicação entre as agências federais aconteceu e foi documentada. A
DEA e o FBI, em particular, haviam ocultado da ATF a identidade do mais
importante comprador de armas em Ciudad Juarez – um dos principais
alvos da operação – e de um dos principais informantes das duas
agências, cujo nome em código era CI #1 (Informante Confidencial Número
1).
O agente John Dodson foi instruído a comprar quatro
unidades de AK-47 em dinheiro e ainda recebeu uma carta do supervisor,
David Voth, o autorizando a vendê-las para criminosos mexicanos.
Essencialmente, os contribuintes norte-americanos pagaram pelo
armamento de traficantes mexicanos.
Efe (25/09/2011)
As maiores vítimas da violência são os milhares de mexicanos mortos pelo tráfico de drogas
Acordo com traficantes?
A notícia chega justamente depois
da declaração, da emissora Fox News,
de que há documentos que atestam que o governo dos EUA, utilizando
dinheiro público, comprou armas no arsenal Lone Wolf, no estado do
Arizona, que foram entregues a traficantes mexicanos e acabaram nas
mãos de integrantes do Cartel de Sinaloa, liderado por Joaquín “El
Chapo” Guzmán.
Segundo declarações de Vicente Jesús Zambada Niebla,
filho do número dois do Cartel de Sinaloa, Ismael El Mayo Zambada, e
atualmente preso nos EUA, a situação é muito mais complexa e teria
características ainda mais obscuras. Através de seu advogado, Vicente
disse que a operação “Velozes e Furiosos” seria parte de um acordo mais
amplo, com a DEA e o FBI como protagonistas e com a aprovação do
Departamento de Justiça, que teria oferecido imunidade aos integrantes
do Cartel de Sinaloa em troca de informações sobre outros cartéis.
A
defesa de Vicente, ex-encarregado da logística do cartel, se baseia na
afirmação de que ele atuava como agente dos EUA quando cometeu os
delitos pelos quais é acusado, em nome do Departamento de Justiça dos
EUA, da DEA, da Segurança Nacional e do FBI. Washington não negou que o
filho de Mayo Zambada foi apoiado pelo Departamento de Justiça.
Com as novas revelações, o governo Obama enfrenta uma
avalanche de críticas direcionadas a uma história que parece ainda não
ter mostrado todas as facetas. Articulistas de jornais e intelectuais
norte-americanos exigem que a opinião pública saiba quais são as
verdadeiras relações entre o gabinete presidencial e os cartéis,
considerando também a batalha declarada pela Secretário de Estado,
Hillary Clinton, contra o “narcoterrorismo” e “narcoinsurreição”.
Certo é que os parentes de Brian Terry querem justiça e pretendem descobrir quem é responsável pela morte do policial.
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