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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Embaixador Rubens Barbosa lança o "Dissenso de Washington"

Da Folha de São Paulo

O Comando Sul das Forças Armadas americanas foi fonte de atritos entre EUA e Brasil depois do 11 de Setembro, segundo um livro que será lançado amanhã pelo ex-embaixador em Washington Rubens Barbosa.
Além de alimentar a imprensa com boatos sobre terrorismo na Tríplice Fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai), a fim de "valorizar sua atuação", o comando sediado em Miami treinava militares paraguaios propondo cenários em que os "brasiguaios" provocavam a partição do país vizinho.

O então chefe da força, general James Hill, equiparou as drogas a "armas de destruição em massa" e sugeriu que restrições legais ao uso dos militares contra o tráfico fossem "eliminadas" na América Latina.
"Hill tentava vincular seu comando aos temas quentes da agenda de segurança a fim de garantir sua fatia no orçamento do Pentágono", escreve Barbosa em "Dissenso de Washington - Notas de um Observador Privilegiado sobre as Relações Brasil-Estados Unidos".
O atual consultor e editor da revista "Interesse Nacional" relata sua experiência nos EUA entre 1999 e 2004, período da eleição de George W. Bush e do 11 de Setembro.
Ele esteve no Pentágono dois dias depois do local ter sido atacada. Foi o primeiro a ser avisado por John Bolton, do Departamento de Estado, de que os EUA queriam afastar o brasileiro José Maurício Bustani da Opaq (órgão da ONU para a proscrição de armas químicas).
Bolton depois foi embaixador na ONU, entidade que Bush criticou, em encontro com o presidente Lula, chamando-a de "shopping de boas ideias".
Barbosa traz os bastidores de uma relação bilateral que cresceu sob Fernando Henrique Cardoso e Lula. O Brasil começa a ter reconhecido seu papel global e não só regional, mas é um avanço aos trancos, como nos últimos 200 anos. "O Brasil está empenhado em salvar o mundo dos EUA", queixaram-se funcionários americanos aos brasileiros em 2002.
Na ocasião, os dois países divergiam sobre a criação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas).
Enterrada sob Lula, a proposta morreu antes, diz Barbosa, quando os EUA retiraram da agenda temas de interesse brasileiro, como os subsídios agrícolas.
O livro, crítico à diplomacia lulista por não apostar na "parceria estratégica" firmada em 2003, mostra a ação de José Dirceu, quando presidente do PT, para tranquilizar os EUA sobre as intenções de Lula recém-eleito.
Conta como Bush quase aceitou a proposta do Brasil de negociar um acordo comercial entre EUA e Mercosul, via paralela à Alca.
Há muitos detalhes reveladores, como um diplomata americano que pergunta a um assessor: "Quando mesmo foi nossa intervenção na República Dominicana?"

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