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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Desrespeito e preconceito no Midway Mall

O Blog do BG divulgou nesta manhã relato de constragimento contra clientes do Midway Mall. Jesus de Miúdo estava realizando uma reunião na praça de alimentação do shopping, quando foi abordado pela equipe de segurança informando que é proibido fazer reunião ali. Foram três seguranças diferentes. Jesus foi desrespeitado inclusive a respeito de seu nome. Desfez a reunião e questionou o fato de não haver nenhuma placa indicativa da proibição. Independente disso, proibir reuniões na Praça de Alimentação é um caminho rápido para se perder clientes. Já não bastasse um restaurante do terceiro piso envolvido em lavagem de dinheiro.
Após a divulgação desse caso, terminamos por conhecer outras histórias recentes de desrespeito no Midway. Um pai foi abordado porque seus filhos brincavam na Praça - "Quem manda em meus filhos sou eu". Uma família foi abordada para dissipar uma comemoração de aniversário porque configuraria uma reunião - proibida no shopping.
Mas a história mais grave me foi contada pelo cineasta Buca Dantas. E é um caso de racismo. Buca esperava uma sessão de cinema no Cinemark. Circulava pelo terceiro piso e foi "convidado" por um segurança a esperar o horário do filme mais perto do cinema. A atitude suspeita de Buca é ser negro.
Salvador é a cidade mais intolerante que eu já conheci. O racismo é a tônica das relações. Quando morava lá, fui ao Salvador Shopping num sábado à tarde. Um segurança na entrada - que depois descobri ser um policial -, pedia os documentos de todos os meninos negros que chegavam. Indignei-me e fui até o segurança mostrando minha identidade.
Tenho a impressão que o Midway quer ir na mesma direção. A continuar assim, os protestos não serão marcados na porta do shopping, mas dentro dele e contra ele.

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