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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Chico Anísio, Mário Lago, Grande Otelo e a censura da TV Globo

Do Blog do Rovai

Chico Anísio, numa entrevista reprisada da TV Brasil, de 8 de outubro de 2008, acaba de dizer: “o  meu contrato com a Globo reza que não posso criticar os programas da emissora, por isso pedi para o técnico bloquear os canais abertos. Assim não os vejo e não os comento”.

É impressionante a censura que a TV Globo impõe a seus artistas e jornalistas, fazendo de conta que o que faz não é censura.
No I Tribunal da Mídia, em 1987, coordenado à época pelo professor José Carlos Rocha, que lecionava na USP e na Metodista de SBC, uma testemunha não pôde comparecer, Grande Ottelo. O ator global havia confirmado a presença. Ele iria acusar a mídia. Diria, entre outras coisas, que era discriminado. Que não tinha o espaço que seu talento deveria lhe garantir no cenário nacional.

Grande Otelo foi um dos maiores atores da história do Brasil, mas o contrato com a TV Globo o impediu de fazê-lo. Ele não pôde ir.
Quando lancei o livro 16 linhas cravadas, de Mário Lago, vivi algo diferente, mas semelhante. Mário Lago já estava com seus 80 anos, mas não podia decidir sobre o que queria fazer.
Dias antes do lançamento do livro, foi informado que precisava gravar. E numa ligação nervosa, me disse que achava que não poderia ir ao lançamento que estava agendado há meses. Ao fim, conseguiu convencer a direção da TV Globo que merecia aquela distinção. Ir ao lançamento do livro que havia dedicado alguns anos. Mas foi um favor que a emissora lhe prestou.
A Globo não censura?
Ao assistir a entrevista de Chico Anísio entendi melhor o significado dos contratos da TV Globo.
Contratos não têm nada a ver com censura, certo?
Afinal, contratos são contratos.
Censura é querer regulamentar a mídia, a partir de um contrato com a sociedade.
Quem sabe um dia isso mude.

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