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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

'Brasil e Turquia superestimaram Obama', diz especialista iraniano

Da Folha de São Paulo


O maior erro do Brasil e da Turquia ao negociarem com o Irã o acordo de troca de combustível nuclear foi subestimar a fraqueza política do presidente americano, Barack Obama, em relação ao Congresso, que na época pressionava por mais sanções contra Teerã. 
Além disso, afirma o iraniano radicado nos EUA Trita Parsi, quando o acordo foi assinado, em 17 de maio de 2010, os EUA já tinham fechado o entendimento com a Rússia por uma nova rodada de punições no Conselho de Segurança da ONU. 
"Brasileiros e turcos usaram a carta de Obama de 18 de abril como a palavra final do governo, mas ela não era necessariamente a palavra mais autorizada sobre o tema", disse Parsi à Folha. 
Presidente do Conselho Nacional Iraniano-Americano, que defende a reaproximação diplomática entre EUA e Irã, Parsi prepara a publicação de um livro analisando por que negociações entre o democrata e a República Islâmica não foram adiante. 
Para o capítulo sobre a Declaração de Teerã assinada por Irã, Brasil e Turquia, o pesquisador do Middle East Institute (Washington) entrevistou autoridades dos países envolvidos, incluindo o ministro da Defesa, Celso Amorim, na época chanceler. 
Em entrevista neste ano à Folha, Amorim disse que falou com a secretária de Estado americana Hillary Clinton, por iniciativa dela, três ou quatro dias antes da viagem a Teerã com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 
Já havia, contou Amorim, uma "diferença de tom" entre a carta de Obama e a atitude de Hillary. "Ela reiterou cuidados, disse que seríamos enganados, mas nunca disse para não fazer o acordo." 
No telefonema, a secretária de Estado pediu que o Brasil ajudasse na soltura de três alpinistas americanos presos em 2009 no Irã (uma, Sarah Shourd, teve a libertação mediada pelo Brasil). 
Para Parsi, a Casa Branca foi surpreendida pelo acordo, que "desarrumou" seus planos. "A decisão de partir para as sanções já tinha sido tomada, independentemente da diplomacia." 
O iraniano acredita que é quase nula a possibilidade de avanço em negociações sobre o programa nuclear do Irã antes da eleição americana de 2012, apesar de a Rússia ter acabado de fazer uma nova proposta de diálogo. 
Pela proposta, as sanções seriam levantadas à medida que Teerã respondesse às dúvidas da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). "Mas a ideia do governo Obama é parecer muito duro com o Irã." 

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