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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

'Brasil e Turquia superestimaram Obama', diz especialista iraniano

Da Folha de São Paulo


O maior erro do Brasil e da Turquia ao negociarem com o Irã o acordo de troca de combustível nuclear foi subestimar a fraqueza política do presidente americano, Barack Obama, em relação ao Congresso, que na época pressionava por mais sanções contra Teerã. 
Além disso, afirma o iraniano radicado nos EUA Trita Parsi, quando o acordo foi assinado, em 17 de maio de 2010, os EUA já tinham fechado o entendimento com a Rússia por uma nova rodada de punições no Conselho de Segurança da ONU. 
"Brasileiros e turcos usaram a carta de Obama de 18 de abril como a palavra final do governo, mas ela não era necessariamente a palavra mais autorizada sobre o tema", disse Parsi à Folha. 
Presidente do Conselho Nacional Iraniano-Americano, que defende a reaproximação diplomática entre EUA e Irã, Parsi prepara a publicação de um livro analisando por que negociações entre o democrata e a República Islâmica não foram adiante. 
Para o capítulo sobre a Declaração de Teerã assinada por Irã, Brasil e Turquia, o pesquisador do Middle East Institute (Washington) entrevistou autoridades dos países envolvidos, incluindo o ministro da Defesa, Celso Amorim, na época chanceler. 
Em entrevista neste ano à Folha, Amorim disse que falou com a secretária de Estado americana Hillary Clinton, por iniciativa dela, três ou quatro dias antes da viagem a Teerã com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 
Já havia, contou Amorim, uma "diferença de tom" entre a carta de Obama e a atitude de Hillary. "Ela reiterou cuidados, disse que seríamos enganados, mas nunca disse para não fazer o acordo." 
No telefonema, a secretária de Estado pediu que o Brasil ajudasse na soltura de três alpinistas americanos presos em 2009 no Irã (uma, Sarah Shourd, teve a libertação mediada pelo Brasil). 
Para Parsi, a Casa Branca foi surpreendida pelo acordo, que "desarrumou" seus planos. "A decisão de partir para as sanções já tinha sido tomada, independentemente da diplomacia." 
O iraniano acredita que é quase nula a possibilidade de avanço em negociações sobre o programa nuclear do Irã antes da eleição americana de 2012, apesar de a Rússia ter acabado de fazer uma nova proposta de diálogo. 
Pela proposta, as sanções seriam levantadas à medida que Teerã respondesse às dúvidas da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). "Mas a ideia do governo Obama é parecer muito duro com o Irã." 

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