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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Além de editores potiguares, Siciliano não vende literatura africana


Depois de meu post de ontem, dando conta das restrições a venda de livros de editoras e autores potiguares, alguns companheiros publicaram algumas informações complementares, que apontam para uma política deliberada do grupo Saraiva/Siciliano, que concentra a maior rede de livrarias do país.

Bartira Seixas lembrou que seu pai, Severino Vicente, lançou no último mês o livro "Por amor a Natal".   Severino é Historiador e Folclorista, premiado com a Medalha Brasileira de Folclorista Emérito, homenagem máxima prestada a pessoas que pelo conjunto de sua obra ou méritos pessoais destacaram-se na vida profissional na área do ensino, pesquisa, publicações e outras ações ou eventos relacionados a cultura brasileira.  Exerce atualmente cargo de Presidente da Comissão Norte-Rio-Grandense de Folclore e é também, entre outras coisas, conselheiro da Comissão Nacional de Folclore, órgão ligado a Unesco.  
Apesar de todo esse currículo, Bartira não conseguiu pôr o livro do pai à venda na Siciliano. A ela foi dito que somente em outubro poderiam receber o livro. "Não entendo o que acontece! O que fiz? Deixei o livro nas bancas de revistas de Natal e na Poty livros e estou vendendo diretamente aos interessados. Procurar alternativas é solução", complementou Bartira.
A outra informação é ainda mais grave.  O companheiro Vitor Hugo, que trabalhou numa das lojas da rede, deixou claro que se trata de uma política da empresa (que talvez pudesse estar sendo burlada pelo franqueado local): "Não é só potiguares: lá não deixam vender literatura africana que não seja Mia Couto. Quando vendem, é porque o autor tem alguma ligação com países europeus ou está na mídia".
Vale um boicote até que tenhamos o quadro revertido ou explicações mais críveis?
Se fizermos um boicote, lembremos que Siciliano e Saraiva são o mesmo grupo empresarial.  Não adianta, como disse Vitor Hugo, "deixar de comprar na Siciliano e comprar na Saraiva".

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