Do UOL
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, vai entrar
nesta sexta-feira (23) com um pedido no Conselho de Segurança da
Organização das Nações Unidas (ONU) para que o Estado palestino seja
reconhecido como membro pleno da entidade, conforme ele mesmo já
anunciou na semana passada.
Se o pedido for aceito, será reconhecido o Estado palestino com as
fronteiras demarcadas na faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém
Oriental, que seria capital palestina. Israel rejeita essas
demarcações, e nega sobretudo ceder a parte oriental de Jerusalém, que
considera sua capital -- a comunidade internacional jamais reconheceu
essa posição. Ao lado dos israelenses, os Estados Unidos também
trabalham para barrar a iniciativa palestina.
A questão, no entanto, é mais complexa, pois envolve também a volta de
palestinos refugiados após a criação de Israel, em 1948, e o fato de
israelenses terem instalado inúmeros assentamentos em territórios
palestinos ocupados. Para os palestinos, o reconhecimento na ONU
facilitaria uma saída a esses problemas.
Esforço diplomático
Muitas etapas aguardam os palestinos em sua iniciativa de
reconhecimento. Após submeter a candidatura ao secretário-geral da ONU,
Ban Ki-moon, é preciso que 9 dos 15 países do Conselho de Segurança
aprovem o pedido. Até agora, seis países já anunciaram o apoio ao plano
de Abbas (veja tabela com a posição dos países).
Caso o pedido seja aceito pelo Conselho de Segurança, ele será
submetido à nova votação apenas pelos membros permanentes da entidade
-- Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido. É nesta etapa
que os EUA podem se encontrar isolados em sua posição contrária à
iniciativa palestina. Todos os membros permanentes do CS têm poder de
veto, ou seja, com apenas um voto contra dos EUA, o plano poder ser
barrado. China e Rússia são a favor. Reino Unido e França não
anunciaram posição.
Se for aceito nessas duas votações pelo Conselho de Segurança, o
pedido palestino ainda deverá passar à votação geral por parte dos 193
países integrantes da Assembleia Geral da ONU, e ser aprovado por dois
terços deles -- o que seria praticamente certo.
Se for rejeitado no CS, segue para votação na Assembleia Geral, mas
para que os palestinos obtenham o título de Estado observador não
membro.
Os esforços diplomáticos, tanto do lado palestino quanto do lado
americano e israelense, se concentram atualmente em convencer os
membros permanentes e não-permanentes do CS a votarem a favor ou
contra, respectivamente, na primeira etapa de votação.
Apoio aberto
A posição brasileira sobre a iniciativa palestina já é conhecida, e
a presidente Dilma Rousseff, que foi a primeira mulher a abrir da
Assembleia Geral da ONU na quarta-feira, fez menção a ela em seu
discurso inaugural.
“Quero estender ao Sudão do Sul as boas-vindas. O Brasil está
pronto a cooperar com o mais jovem membro das Nações Unidas. Mas
lamento ainda não poder saudar, desta tribuna, o ingresso pleno da
Palestina na ONU. O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal”,
declarou.
“Chegou o momento de ter representada a Palestina a pleno título.”
Isto, segundo Dilma, ajudará a obter uma “paz duradoura no Oriente
Médio”. “Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos
pedidos de Israel por segurança”, continuou a presidente, acrescentando
que vem de um país “no qual judeus e árabes vivem em paz”.
Conflito histórico na ONU
Em 1947, a Assembleia Geral da ONU também foi marcada pela questão
árabe-israelense. Naquele ano, foi aprovada a partilha da Palestina. A
votação se deu por 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções -- o
Brasil, representado pelo embaixador Osvaldo Aranha, se posicionou a
favor, ao lado de Estados Unidos e União Soviética, as duas potências
da época.
Um ano depois, foi criado o Estado de Israel sobre parte do
território destinado à Palestina. Em 1967, quando ocorreu a Guerra dos
Seis Dias, Israel ainda ocupou os territórios palestinos -- faixa de
Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental --, além da Península do Sinai
(pertencente ao Egito e hoje devolvida ao país) e as Colinas de Golã
(das quais ainda ocupa dois terços do território, após vários conflitos
com a Síria).
Ao fim da Guerra, a ONU aprovou a Resolução 242, que serve até hoje
como base para o fim do conflito israelo-palestino. O texto estabelece,
entre outros pontos, a retirada de Israel dos territórios ocupados e
que seja encontrada uma solução para o problema dos refugiados. Em
2005, numa virada histórica, Israel se retirou da faixa de Gaza, hoje
sob controle do grupo islâmico Hamas, mais radical que o Fatah de
Mahmoud Abbas. A Cisjordânia, assim como Jerusalém Oriental, continuam
ocupadas.
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