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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

A revolta de Walter Carvalho no TCP

Do Diário de Tempo:

Vergonha alheia é pouca. Mas antes de contar o episódio ocorrido semana passada no TCP, opino: a iniciativa da exibição de documentários relacionados à cultura popular na programação do Agosto da Alegria foi massa, apesar da falta de Escoréu sem motivos muito explicados. Mas vamos à novela:

Já no primeiro dia, o maior nome da Mostra, o diretor Walter Carvalho, é convidado para comentar seu  doc, chamado “Moacir”. Contava a história de um personagem real, urbano, com distúrbios neuróticos. O cara foi encontrado pelo diretor nos rincões de Goiás.

Quando inventam de colocar o filme, eis que exibe na tela: “Conheça o 7ª Arte”… Para quem desconhece, o 7ª Arte é o box localizado no camelódromo da Cidade Alta especializado em filmes piratas raros do cinema. Ou seja: exibiram o pirata do filme de Walter Carvalho na frente do diretor do filme!
O absurdo não para por aí. O diretor se manifestou irado e disse que tinha trazido um original. Quando colocaram, nada do áudio. Ele reclamou de novo. Recolocaram, e mais uma vez, nada. Na tarceira vez, ele ameaçou ir embora. Isaura Rosado, caladinha até então, pediu para Mary Land Brito resolver.

O diretor bateu um papo com alunos do Curso de Cinema da UnP e demais presentes no TCP, enquanto Mary Land testava a fita em dois aparelhos e em um computador. Descobriu-se que o problema era no DVD. Lula Augusto sugeriu a exibição do piratão. Com essa, o produtor do filme bateu a porta e foi embora.

Fim das contas: o filme não foi exibido, mas Walter Carvalho respondeu as perguntas da plateia. E mais: se disponibilizou a ajudar na restauração de um dos primeiros filmes em que trabalhou, como diretor de fotografia: Boi de Prata, rodado aqui no RN. O filme está sumido. Mas uma aluna de cinema, parente do diretor Augusto Ribeiro Júnior, prometeu ver isso.

Sei que Walter Carvalho só volta ao RN para férias ou se aceitar o convite para patrono da primeira turma de Cinema da UnP. Para participar de projetos patrocinados pelo poder público, nunquinha. E o 7ª Arte, sinceramente: acho um trabalho de divulgação até considerável, mas colocar propaganda já é abuso, hein?

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