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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Procuradoria quer chamar Dilma para falar de tortura

Da Folha de São Paulo:
O Ministério Público Federal estuda pedir o depoimento da presidente Dilma Rousseff em ação contra quatro ex-agentes da ditadura militar acusados de torturar presos políticos na Oban (Operação Bandeirantes).
Ela pode ser ouvida como testemunha de acusação contra Maurício Lopes Lima, capitão reformado do Exército que atuou no órgão.
Em audiência na Justiça Militar quando estava presa pelo regime, em 1970, a presidente o apontou como "um dos torturadores da Oban".
"O testemunho de Dilma pode ser relevante, porque ela é uma das vítimas que reconheceram os réus como torturadores", diz a procuradora Eugênia Gonzaga.
Na segunda-feira, a juíza federal Taís Gurgel, da 4ª Vara Cível de São Paulo, deu ao Ministério Público 15 dias para informar as provas que pretende colher na ação.
Os procuradores querem chamar ex-presos para reforçar o envolvimento dos acusados em sessões de tortura.
"Se for o caso, não teremos nenhum constrangimento em pedir o depoimento da presidente, que poderá responder por escrito", disse o procurador regional da República Marlon Weichert.

TORTURAEx-militante da VAR-Palmares, uma das principais organizações da luta armada, Dilma ficou presa de 1970 a 1972. Ela relatou ter sofrido maus-tratos na Oban. "Fui barbaramente torturada, ou seja, choques elétricos, pau de arara e palmatória."
Em 2009, Dilma afirmou que Lima não a agrediu, mas "entrava na sala e via tortura". No ano passado, ele negou a acusação e disse à Folha não ter "nenhum remorso" pelo que fez na Oban.
No processo, o militar usou uma entrevista em que a presidente contou que "mentia muito" durante a ditadura. Ela já esclareceu, porém, que se referia a interrogatórios sob tortura, e não a audiências judiciais.
A Oban foi o mais famoso centro de torturas do regime. Foi instalada em 1969 na rua Tutóia, no Paraíso (zona sul de SP), de forma clandestina e sob o comando do Exército. No ano seguinte, entrou para o aparato oficial da repressão como DOI-Codi.
Além de Lima, são réus na ação os militares Homero Cesar Machado e Innocencio Beltrão e o ex-capitão da PM João Thomaz. Todos negam ter participado de torturas.
A Procuradoria pede que eles sejam declarados responsáveis por torturas, percam as aposentadorias e sejam obrigados a indenizar a União e o governo paulista.

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