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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

O paradoxo de Dilma - Ou como Celso Amorim ressuscitou o PIG

O artigo de Fernando Rodrigues, em que pese ter sua relevância, aponta também, em sua crítica velada, para o ressurgimento do PIG a partir de uma retomada de caminhada da presidenta Dilma para a esquerda - notada na indicação de Celso Amorim para o ministério da Defesa e da ferrenha reação da direita e da imprensa.

Fernando Rodrigues, Folha de S. Paulo
Apesar das incertezas externas, o brasileiro médio ainda desfruta de uma bolha de prosperidade. Compra-se torradeira a prestações de R$ 10 ao mês e a perder de vista. O nível de emprego é alto. Muitos ex-pobres viajam de avião pela primeira vez, todos os dias.
Na política, uma leva de pesquisas reservadas mostram ao Planalto que a presidente Dilma Rousseff surfa numa onda de popularidade. Cada vez mais atenta ao marketing, ela aproveitou a roubalheira dentro de seu governo e saiu-se como paladina da ética. Imagem é tudo.

Apesar dessa conjuntura favorável, o mundinho da micropolítica convive com um paradoxo. No Congresso há um clima hostil.
Deputados e senadores governistas andam resmungando pelos cantos. Há um ambiente de tocaia por ali. "Espere até a primeira crise real" é a frase-síntese ouvida nos corredores -sempre em tom agônico e de ameaça velada.
Há uma razão objetiva e outra mais nebulosa para essa turma andar enfezada. O fato concreto é conhecido. Dilma não pagou ainda um centavo de real das emendas de congressistas ao Orçamento deste ano. No governo Lula, a média anual de desembolso nunca ficou abaixo de R$ 4 bilhões.
Mas dinheiro não é tudo. Os políticos tradicionais andam sem saber como perscrutar as intenções reais de Dilma sobre as alianças de 2012 e de 2014. Muito menos está clara a disposição da presidente para atuar na laboriosa tarefa de construir consensos nas disputas eleitorais de grandes capitais e governos estaduais. Essa é uma tarefa indelegável. Nenhum ministro poderá se dizer 100% autorizado a fechar negócios em nome do Planalto.
Ideli Salvatti, a nova articuladora de Dilma, tem superado as expectativas. Mas sozinha não será capaz de pacificar a base de apoio no Congresso sem uma ajuda mais decidida de sua chefe. Até lá, persistirá um ambiente esquisito e imprevisível na política em Brasília.

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