Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

O lugar como definidor

Hoje, mais uma vez, tive uma visão acerca do papel do lugar e do entorno social na definição da loucura.
Já falei outras vezes que tenho uma tia que sofre de doença mental há muito tempo. Já disse também que tinha a percepção de que a falta de cuidado, de estímulo e de sociabilidade promovidos pela minha família tinham o seu peso na questão. A doença de minha tia seria sintoma de outras coisas. As outras doenças que ela desenvolveu têm um vínculo direto a essa questão mental.

Tenho certeza que o discurso dos outros em nossa vida tem potencial para nos prender de alguma forma. Assim, é difícil alguém não ser louco ao ser tachado a vida toda e por toda família e sociedade como tal. Difícil minha tia ser outra se foi condenada a viver sob essa ordem.
Fui visitá-la na casa de repouso em que está há alguns meses. Ela foi retirada do lugar onde era chamada e tratada como louca. Antes de ir para essa casa, ficou algumas semanas praticamente confinada no apartamento do filho. Mal se recuperara de um surto.
Hoje o cenário era completamente diverso - e mesmo os sintomas de Alzheimer que geriatras viram não estavam lá.
De certo fico com a clareza de que a loucura se faz socialmente. E como fazem loucos nossas famílias.

Comentários

Postagens mais visitadas