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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

O lugar como definidor

Hoje, mais uma vez, tive uma visão acerca do papel do lugar e do entorno social na definição da loucura.
Já falei outras vezes que tenho uma tia que sofre de doença mental há muito tempo. Já disse também que tinha a percepção de que a falta de cuidado, de estímulo e de sociabilidade promovidos pela minha família tinham o seu peso na questão. A doença de minha tia seria sintoma de outras coisas. As outras doenças que ela desenvolveu têm um vínculo direto a essa questão mental.

Tenho certeza que o discurso dos outros em nossa vida tem potencial para nos prender de alguma forma. Assim, é difícil alguém não ser louco ao ser tachado a vida toda e por toda família e sociedade como tal. Difícil minha tia ser outra se foi condenada a viver sob essa ordem.
Fui visitá-la na casa de repouso em que está há alguns meses. Ela foi retirada do lugar onde era chamada e tratada como louca. Antes de ir para essa casa, ficou algumas semanas praticamente confinada no apartamento do filho. Mal se recuperara de um surto.
Hoje o cenário era completamente diverso - e mesmo os sintomas de Alzheimer que geriatras viram não estavam lá.
De certo fico com a clareza de que a loucura se faz socialmente. E como fazem loucos nossas famílias.

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