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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

O bravateiro #EjectJobim já dançou?

Por Altamiro Borges:

Tudo indica que o ministro Nelson Jobim dançou. Segundo o UOL, “Dilma Rousseff está reunida desde as 9h40 desta quinta-feira (4) com os ministros Ideli Salvatti (Relações Institucionais), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Helena Chagas (Comunicação Social) e discute as novas declarações dadas pelo titular da Defesa, que pode perder o cargo nas próximas horas”.

Escalada de ataques ao governo

O ministro da Defesa promove uma estranha escalada contra o atual governo. Primeiro, na festa de aniversário do ex-presidente FHC, ele criticou os “idiotas que perderam a modéstia” no Palácio do Planalto e insinuou que a presidenta Dilma é “autoritária”. Na sequência, em entrevista à revista Piauí, ele fez questão de revelar que votou em José Serra nas eleições de outubro passado.
Agora o bravateiro Nelson Jobim resolveu atacar vários ministros do atual governo. Novamente em entrevista à revista Piauí, ele afirmou que a ministra Ideli Salvatti é “fraquinha” e que Gleisi Hoffmann “nem sequer conhece Brasília”. Ele também criticou as “trapalhadas” do Palácio do Planalto. Por razões ainda desconhecidas, o próprio ministro cavou a sua sepultura.

Um infiltrado tucano

Apesar de filiado ao PMDB, Jobim sempre foi um tucano. Ele ganhou projeção nacional durante o triste reinado de FHC. Padrinho de casamento de José Serra, ele não apoiou Lula em 2002. Mesmo assim, foi convidado pelo ex-presidente num arriscado esforço para garantir governabilidade, criando pontes com o PMDB e também com setores militares saudosos da ditadura.

No governo petista, porém, Jobim sempre criou obstáculos às propostas mais democráticas. Foi um dos principais responsáveis pelo recuo no debate sobre o Plano Nacional de Direitos Humanos. Sabotou as investigações sobre os desaparecidos na Guerrilha do Araguaia – inclusive justificando a ilegal incineração de documentos do período. E, já no governo Dilma, ele colocou entraves à proposta de criação da Comissão da Verdade. Na prática, Jobim agiu como um infiltrado das forças conversadoras.

Os motivos do ministro

Agora, porém, Nelson Jobim resolveu escancarar suas posições políticas. Três fatores podem justificar suas recentes bravatas. Ele não se sentiria confortável no governo, principalmente devido às pressões pela criação da Comissão da Verdade. Oportunista, ele tentaria se aproveitar da fase de dificuldades vivida pela presidente Dilma, acuada pela crescente onda de denúncias de corrupção, para abandonar o barco. A terceira hipótese é que o bravateiro tentaria se projetar como líder da oposição de direita.

Seja qual for o motivo, é evidente que Nelson Jobim só causa constrangimentos ao atual governo. Não adiante a ministra Ideli pedir para ele se “conter um pouquinho” ou a presidenta Dilma tratá-lo com frieza nas solenidades oficiais. Jobim já escolheu seu posto de infiltrado tucano no Palácio do Planalto. Ele não cumpre mais a função de ponte com o PMDB ou com os militares e já deveria ter rodado há muito tempo. Em época de “faxina” no governo, nada melhor do que mandá-lo para casa.

"Jobim tornou-se irrelevante"

Como afirma o sítio Carta Maior, “Jobim ostenta que votou em Serra, desdenha de colegas do ministério e usa o governo Dilma desesperadamente como balcão para o convite a uma candidatura oposicionista. Jobim foi recolhido para ser o porta-recado de Lula à oposição. Perdeu sentido à medida que a oposição perdeu espaço e o PMDB redefiniu a aliança com o PT. Em resumo, Jobim tornou-se irrelevante”.

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