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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Jogo de cena

Por Fernando de Barros e Silva
Da Folha de São Paulo


A imagem de Dilma ao lado de líderes tucanos no Palácio dos Bandeirantes, na quinta, provocou comentários entusiasmados sobre o significado dos afagos entre a presidente e a oposição. Seria bom ir devagar antes de tirar maiores consequências desse convescote que reuniu os Montecchio e os Capuleto da política nacional no lançamento do programa Brasil Sem Miséria na região Sudeste.
Não é muito difícil mapear as motivações de cada um. A Alckmin interessava associar seu governo e sua figura à área social, sobretudo ao Bolsa Família, marca do PT. Ele e Anastasia não têm, além disso, nenhum motivo para criar atritos com o governo federal, do qual dependem. Por isso, o anfitrião se derramou em mesuras para Dilma.
As pessoas se esquecem, mas Lula, presidente, e Serra, governador, também trocavam gentilezas em público. Elas cessaram na campanha, para o infortúnio do tucano.
FHC encontrou em Dilma uma aliada insuspeita para recompor a imagem histórica de seu legado, aviltado anos a fio por petistas e tucanos, a começar por Serra.
E Dilma, desde o início, percebeu que poderia se beneficiar de contrastes em relação ao estilo de Lula. Ao distensionar as relações com a oposição e com a imprensa e ser identificada como alguém que quer moralizar a política, a presidente caiu no gosto das classes médias.
Nem Aécio nem Serra têm razões para gostar do cortejo que FHC e Alckmin fazem à "presidenta". Nem Lula nem o PT aprovam a deferência de Dilma a certo tucanato. São os interesses conflitantes dentro de cada campo de poder.
Não se imagine, porém, que corremos o risco de ver uma aliança política entre o Planalto e os tucanos em torno da "faxina ética". Esse namorico é retórico e não vai além da troca de amabilidades. As eleições municipais logo nos lembrarão quem está com quem e qual é o jogo na vida real. O resto, como diria aquele dramaturgo, são sonhos de uma noite de verão.

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