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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#ForaMicarla: A rebelião dos bonecos em Natal #BonecoCidadaoLivre

Do Embolando Palavras:

A prisão do “Boneco Cidadão”, hoje de manhã, no centro da cidade, despertou a ira dos demais bonecos de Natal. Os pequenos soldados de papel, de pano e de chumbo convocaram o Boneco de Olinda, maior representante da categoria, para ajudar a depor a Tirana Borboleta.
O verdadeiro alvo da Tirana Borboleta, para quem não sabe, era o Boneco de Olinda, mas, na impossibilidade de atingi-lo, Sua Malvadeza deu a ordem para retirar das ruas o Boneco Cidadão. Ela não aceitou ver sua autoridade ser afrontada pelo símbolo gigante a serviço dos insolentes vermelhos, que insistia em denunciar a precariedade das nossas ruas.

O Boneco de Olinda pediu reforço ao Exército Vermelho e aos camaradas bolcheviques para lutar contra a Tirana Borboleta, pródiga em criar estratagemas discursivos para se livrar da pressão desses cada vez mais numerosos insurgentes. Como que para amenizar sua imagem ditatorial, recorre sempre ao bordão “eu sou mãe, mulher, natalense”, mas essa poderosa arma responsável por arregimentar as massas no passado parece não surtir mais efeito.

O Boneco de Olinda tenta convencer, ainda, a outra parte do Exército Carmesim, comandado pela outrora poderosa Rainha Vermelha, a se juntar a ele em sua peleja contra a Tirana Borboleta. Os exércitos, porém, tendem a marchar separados, mas com o mesmo objetivo: depor a lepidoptera que se apoderou do Palácio Felipe Camarão e, de lá, distribui suas ordens, alheia à necessidade daqueles a quem governa.

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