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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

#ForaMicarla: Estão acabando com o maior Beco do mundo

De Sérgio Vilar
No Diário do Tempo


E Nazaré me contava que Carlos Eduardo, mesmo quando prefeito, visitava o Beco da Lama. Naquela época, o apurado do bar era 50% maior. Isso porque ela colocava cadeiras e mesas em uma calçada de pouco movimento, de boemia tradicional. Nunca ninguém reclamou. Era local disputado pela melhor ventilação. Hoje, todo mundo bebe e come entocado no bar, com medo da fiscalização.

Peço desculpa ao leitor se não explicitei quem é Nazaré. Ela dá nome ao bar mais frequentado do Beco da Lama. É cumadre de Neide, do Bar da Meladinha, fechado na última quinta-feira pela insensatez municipal. O argumento jurídico-administrativo-burocrático-idiota é de que falta licença para funcionamento. Como se a boemia precisasse pedir licença para ancorar sua liberdade.Por várias vezes elogiei a iniciativa, a credibilidade e o trabalho do produtor Marcelo Veni por aqui. Achei o máximo um cara conseguir produzir shows quase diários em um local morto e que clama – ou reclama – por segurança e movimento. Mas ele conseguiu. E sem o apoio do poder público. Talvez por isso vinha dando certo, trazendo gente ao abandonado Beco.

Mas o município precisa dar o ar da graça. Micarla precisa ser notícia, sempre. E resolve atrapalhar. Fechou o bar. Proibiu o evento. “Ora, se nós não conseguimos fazer um São João de alguns dias e pagar os cachês dos artistas, vocês vão fazer um mês de shows e sair impunes?”. Não pode. E o Centro Histórico, agora, tem mais essa para os causos de mesa de bar; entrou para os anais do Beco.

Hoje, o nome de Micarla é alardeado aos quatro ventos do Beco. O Beco, que não se engane pelo tamanho e provincianismo de seus frequentadores. Aquele Beco é a maior avenida do Brasil, quiça, do mundo. Lá moram as bocas malditas da cidade e a liberdade universal. E pergunto, então, ao amigo leitor: há coisa maior do que isso, cumpade?

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