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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Crises e mudanças ideológicas

Vez por outra me espanto com a capacidade de mudança ideológica, por vezes rápida, de certos indíviduos.
Não bastasse Natal ser a terra em que ex-petistas assumiram a prefeitura da cidade ao lado de Micarla de Sousa e executaram uma gestão à direita, transformando tudo em um caos.
Não bastasse isso, há histórias bem interessantes, como do ex-petista e ex-esquerdista que, transformando-se completamente, mudou-se em um representante oficial da extrema direita natalense.
Ou a história do cara que me fez ler Rota 66 aos 17 anos e, pouco depois, se tornou um dos principais jornalistas potiguares que, frequentemente, se posiciona contra os movimentos de Direitos Humanos em geral e faz apologia constante à violência policial.  Fiel representante das ações policiais que mataram o menino Juan no Rio, ou provocaram, ao abordar a tiros o ônibus sequestrado na terça-feira, ferimentos graves nos sequestrados.
Espanta-me mudanças tão sérias - e um tanto superficiais ou motivadas por questões não publicáveis - em tão pouco tempo e de forma tão definitiva.
Assusta saber o quanto cada um deve ter sofrido sob a repressão no Regime Militar para, agora, voltar as costas à sua história. Presente em placas, por exemplo, da UFRN, que reproduz Chico Buarque (foto: Rafael Lemos):


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