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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Balão de ensaio da mídia: Dilma agora procura conter rejeição de militares a Amorim

Da Folha de S. Paulo:


Planalto pede que comandantes das Forças Armadas permaneçam nos cargos e evitem comentar indicação

Primeiro encontro com militares será hoje no Palácio do Planalto, e posse do ministro deve ser na segunda-feira 

ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA DA FOLHA 

A presidente Dilma Rousseff se reuniu com os comandantes das Forças Armadas ontem, antes de embarcar para o Nordeste, para formalizar pessoalmente o convite para que fiquem nos cargos.
Esta foi uma tentativa de neutralizar resistências ao nome do novo ministro da Defesa, Celso Amorim.
A presidente foi rápida e formal. Confirmou a saída do ministro Nelson Jobim e a chegada de Amorim, ratificou o convite para que fiquem e determinar à cúpula militar e subordinados que fiquem em silêncio. Não quer qualquer tipo de manifestação da tropa quanto à troca.
Ontem mesmo, porém, o general Augusto Heleno, porta-voz informal do Exército, disse que a troca na pasta "não tem impacto nem trauma, porque troca de comando é rotina para nós".
Mas mandou recados: "Lembro ao ministro que as Forças Armadas são instituições de Estado, apolíticas e apartidárias. Comprometimento ideológico tem repercussão altamente negativa no meio militar", disse.
Amorim foi do PMDB, mas se filiou ao PT em 2010.
Participaram da reunião com Dilma os comandantes Enzo Peri (Exército), Juniti Saito (Aeronáutica), Júlio Soares de Moura Neto (Marinha) e o recém-empossado chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi.
O primeiro encontro de Amorim com os quatro será hoje às 16h, no Palácio do Planalto. O ministro deve também ter sua primeira conversa sobre o funcionamento da pasta com a presidente. A posse de Amorim deve ocorrer na segunda-feira.
Seu nome foi mal recebido particularmente no Exército. O desagrado tem origem na resistência a um diplomata.
Diplomatas e militares têm carreira de Estado, mas com perfis e culturas diferentes que causaram atritos, por exemplo, entre a cúpula do Exército e o primeiro ministro da Defesa no governo Lula, o embaixador José Viegas.
Um general questionou: "E se pusessem um general no Itamaraty? Os diplomatas iriam gostar?"
Oficiais destacam que Amorim é próximo a Cuba e Venezuela, articulou a aproximação do Brasil com a Líbia e criou mal-estar com a ONU (Organização das Nações Unidas) por tentar mediar, sem sucesso, o acordo nuclear iraniano.
A Marinha é refratária a manifestações políticas, e a Aeronáutica ironiza o Exército. Um deles comparou: "Quem é mais à esquerda, a presidente, que foi guerrilheira, o Lula, que resistiu à ditadura, ou o Amorim?"

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