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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Sobre [a hipocrisia do] voto de Jobim

Ano passado, tínhamos uma opção bem clara nas eleições presidenciais: de um lado, a continuidade do projeto de governo de Lula, que promoveu avanços inegáveis no país - em que pese não ter sido perfeito - e do outro, a escolha de um novo projeto, representado pelos candidatos de oposição.
Desde o início ficou muito claro que o projeto mais diametralmente oposto ao projeto do governo era a proposta tucana do candidato José Serra, por muitos fatores, entre os quais o resgate de discurso e programa da direita udenista do país.  Sentíamos com clareza a ameaça à continuidade de um projeto político que fez bem ao Brasil e a opção clara para continuar avançando era o voto em Dilma.
Não votei em Dilma por simpatia a ela, mas como forma de garantir que um projeto de país vitorioso ia continuar sendo tocado no governo.  Tanto é verdade isso, que não me furtei a reconhecer o retrocesso do atual governo em tantas áreas sensíveis em que desejávamos continuidade e a entender que esse afastamento das políticas do governo Lula termina por me afastar do governo Dilma.
Se ano passado não concordasse com os rumos e o projeto do governo, votaria em qualquer candidato da oposição.  Se tivesse vertido à direita o curso ideológico de minha vida, meu voto claramente iria para Serra - e não organizaria um comitê evangélico em Natal para defender o governo e o voto em Dilma.
É por isso que considero muito grave a declaração de voto do ministro da defesa Nelson Jobim (PMDB).  Jobim afirma em entrevista à Folha hoje que votou em Serra na eleição presidencial do ano passado.  Jobim era o ministro da defesa no governo Lula e permaneceu no cargo no governo Dilma.  Declarando seu voto assim é como se o ministro admitisse que não concordava com os rumos e o projeto de país do governo ao qual servia - escolheu votar no candidato de oposição que melhor representava o seu contraponto.  Se não concordava, votou em Serra.  Se não concordava, não devia ter aceitado o pedido de continuar ministro.  Aliás, não devia nem mais ser ministro do governo Lula.  Isso é descompromisso e traição política.  Além de hipocrisia e falsidade: pelo status e pelo cargo, seguir ministro num projeto em que não se acredita.

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