Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

A realidade das ideologias e a distinção direita/esquerda

Quando inicia sua obra sobre Marxismo e filosofia da linguagem, Bakhtin destaca que até aquele momento não tinha havido uma pesquisa real focada no tema da ideologia.
Por outro lado, Foucault chegou a dizer que não lhe interessava estudar a ideologia: seu foco eram as relações de poder principalmente.
Uma concepção mais tradicional atribui à ideologia o papel de falsa consciência, indicando que seu papel é enganar e refratar a visão que os sujeitos têm da realidade. Haveria, por isso, uma ideologia dominante responsável por fornecer uma explicação de mundo que justifica a relação de exploração a exploradores e explorados.
No pensamento de Bakhtin é mais coerente falar em ideologia oficial - não dominante -, uma vez que o russo afirma a presença no âmbito da sociedade de ideologias do cotidiano, relacionadas a diferentes campos de atividade humana. Essas ideologias estão em constante diálogo com a ideologia oficial.
Em todas essas concepções de ideologia uma coisa fica clara: as ideologias são reais e interferem na concepção e visão de mundo dos sujeitos.
Uma das grandes intenções das ideologias de direita desde 1989 é tentar provar o fim ou a inexistência real das ideologias. De tão rasa a afirmação não merece que se gaste tanto tempo em prová-la inadequada. No mais básico do que diz Bakhtin é ideologia qualquer valoração no discurso, evidente na escolha léxica (por exemplo, a escolha entre o uso de invadir ou ocupar).
No entanto, a tarefa ideológica primeira da formação dominante contemporânea é mostrar que não existe distinção entre avançados/progressistas e conservadores/reacionários. É dizer que essa divisão entre direita e esquerda é anacrônica como a Assembleia Nacional durante a Revolução Francesa. Maior prova de ser um sujeito assujeitado à ideologia oficial/dominante não há que afirmar e reafirmar a inexistência ou irrealidade das ideologias ou das distinções entre direita e esquerda. Prova de ser um sujeito sem qualquer consciência de si.

Comentários

Postagens mais visitadas