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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Pontos de Ciência


Na semana passada, o Ministro Aloízio Mercadante lançou o programa Ciência Sem Fronteiras para oferecer 100 mil bolsas de estudo. Antes, Mercadante esteve no Uruguai, ao lado da Ministra Ana Holanda: dialogaram com los hermanos para acordos nas áreas da ciência, tecnologia, inovação e cultura.
Certamente nossos ministros dialogam também entre si, por isso torço para que o Ministro de Ciências e Tecnologia já conheça com profundidade (visão e gestão) a experiência dos dois mil e quinhentos Pontos de Culturaque marcaram a ministrança de Gilberto Gil e Juca Ferreira.
É que a vitalidade que foi tomando conta dos Pontos de Cultura merece atenção e impõe perguntar se não seria saudável imaginar o nascimento de “pontos de ciência e tecnologia” para popularizar o pensamento e a prática científicos.

A gente precisa, desde criança, querer saber e ter o prazer de descobrir o que são a água e o ar; por que apertando um botão faz-se luz; onde fica guardada esta pasta na qual as fotos são salvas; como uma pequena semente guarda uma árvore tão grande... A gente deve aprender a perguntar estas perguntas e a buscar as respostas se quisermos produzir ciência.
O ensino das ciências nas escolas é, claro, um aspecto da questão. Mas vale perceber que na área da cultura foram décadas de insistências vãs para que as escolas propiciassem alguma qualidade nas chamadas “iniciações artísticas”.
No final das contas, foi nos projetos sociais, escolas fora do sistema educacional e espaços de preservação de expressões variadas que desenvolveu-se o melhor da arte-educação que temos no Brasil, não nas escolas formais.
Foi nesses espaços que uma onda de inovação pedagógica, resultados estéticos de alto nível e exercício cidadão das artes ganharam vitalidade nos anos 90 e assim seguem 2000 afora, tendo inspirado a política de rede e horizontalidade dos Pontos de Culturade Gil e Juca.
Da mesma maneira, acho que Mercadante poderia encontrar seus “pontos de ciência”. Há várias instituições que realizam esforços para levar as ciências ao cotidiano das crianças e dos adolescentes, à periferia...
Mas o que existe ainda parece pouco diante do potencial evidente e da urgência que temos em aprender a pensar cientificamente. Imagino que apenas o impulso de uma política pública poderia romper o isolamento e a eventualidade destas experiências, inspirando-se nelas para uma estratégia de escala e longo prazo.
O PAC 2 prevê Pontos de Cultura e Praças de Esporte e Cultura, por que não prever também pontos e praças científicas?
* De Gilberto Gil: “O Ponto de Cultura é uma espécie de ‘do-in’ antropológico, massageando pontos vitais, mas momentaneamente desprezados ou adormecidos, do corpo cultural do País”.

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