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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

o que não vaza é pele

O ator Henrique Alexandre de Sena relata caso de racismo e violência policial sofrido na última semana em Blumenau (SC).  Henrique teve o tímpano perfurado.



acontecimento
no dia 12, após assistirmos o espetáculo “trajetória \”x”\”,  do grupo chia, liiaa! [direção fernando villar - unb - brasília/df], nós da equipe da no ato cultural fomos jantar na companhia da professora ana fabrício [faculdade de arte do paraná - fap - curitiba/pr] e por coincidência um dos assuntos foi a porcentagem de negros no sul do país e o trabalho feito por ela na coordenação pedagógica do festival do teatro brasileiro, no mês de junho.


mais tarde, voltamos eu, byron o’neil e rodrigo soares ao ponto de encontro do fitub, que acontecia no foyer do teatro carlos gomes, para buscarmos a filmadora que havia ficado no escritório do festival. algumas pessoas, dentre elas o professor naciso telles [universidade federal de uberlândia]. ficamos conversando sobre participação em redes de teatro, política pública cultural, ações do movimento nova cena e parcerias para o ano corrente.


o ponto de encontro encerrou suas atividades e cerca de 60 pessoas se dirigiram, após sugestão do organizador do bar do ponto de encontro, ao posto hass [localizado à rua são paulo, próximo à prefeitura]. o intuito foi continuar as conversas sobre teatro, ensino das artes, intercâmbio e festivais antes de retornarmos ao hotel. era por volta de 3:20h do dia 13 de julho. chegando no posto, ficamos longe das bombas de combustível e ordenadamente, quem tinha necessidade, adentrava a loja de conveniência para adquirir o que fosse de seu desejo.


realmente acredito que 60 pessoas, mesmo sussurrando, causem barulho, porém, não havia balbúrdia. não tínhamos instrumentos musicais, nem equipamentos de som. o objetivo era a troca de informações e vivências.


às 3:40h chegou uma viatura da polícia militar no posto. a viatura estacionou de modo a obstruir a visão daqueles que se localizavam dentro da loja de conveniência. os policiais abordaram estas pessoas dizendo “saiam daqui bando de vagabundos” entre outras frases que não me recordo. como atuo em em belo horizonte com movimentos populares buscando a ocupação humanizada da cidade e por fazer parte de uma família de militares vi que aquilo não era o correto e indaguei que a forma estava errada, mas mesmo assim, com ajuda de outras pessoas, fomos conversando com os convivas daquele momento afim de voltar para o hotel. meu sócio, rodrigo soares, se aproximou e perguntou se estava tudo bem, eu disse que sim e ele, acompanhado por byron o’neill, foram até o interior da loja de conveniência para comprar cigarros e cerveja para irmos embora. enquanto as pessoas se afastavam, me assentei no meio fio da parte externa do posto para aguardá-los. ouvi um grito: “VAZA NEGÃO!”. olhei para trás e constatei que o brado era comigo. vendo que um dos dois policias se dirigia a mim, levantei para explicar que eu estava aguardando meus amigos. após minha resposta ouvi: “AQUI NÃO É O SEU LUGAR! vaza negão!”. após esta frase levei um TAPA na orelha direita. ouvi um forte estampido e disse: “o que é isso!? você me machucou!”. ele: “sai daqui! aqui não é seu lugar!” ainda me atingindo com SOCOS e CHUTES. continuei dizendo: “está errado. você não pode fazer isto! esta não é a abordagem correta! estou esperando meus amigos que estão na loja de conveniência!”. mesmo assim os socos e chutes continuaram.

Leia o relato completo aqui.

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