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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

A campanha de 2010 na Internet e seus efeitos sobre os eleitores

O Estadão publica hoje uma análise do processo eleitoral de 2010 mostrando o desempenho dos principais candidatos entre eleitores conectados - em comparação com o desempenho geral.  O estudo, elaborado pelos pesquisadores João Francisco Resende, do Ibope Inteligência, e Juliana Sawaia Cassiano Chagas, do Ibope Mídia, cruzou dados das pesquisas eleitorais realizadas pelo instituto entre 30 de junho e 30 de outubro de 2010.


Evidente que as conclusões, que você pode ler aqui, são bem superciais - ao menos no resumo apresentado pelo jornal.  Uma coisa, para mim, chamou atenção no gráfico:




Perceba que em 13 de outubro Serra superou Dilma entre os eleitores com Internet.  Nesse ponto o resumo apresentado pelo jornal está correto: a onda de boataria que atingiu a candidatura de Dilma fez efeito e  impactou o seu desempenho.  A coordenação de campanha da petista demorou muito tempo para prestar atenção no que estava acontecendo no subterrâneo da Internet.  
Na semana da eleição no primeiro turno, Dilma superava Serra por 7 pontos entre os conectados na pesquisa Ibope.  O vazamento de eleitores de Dilma prosseguiu ainda na primeira semana do segundo turbo, até que no dia 13, o tucano ultrapassou a petista.
Isso foi claramente sentido por quem fez a campanha no ano passado.  Foi a hora em que a militância voltou às ruas e surgiu no campo virtual - em especial os religiosos do lado do campo progressista, que organizaram manifestos, respostas e comitê de católicos e evangélicos apoiadores da candidata.
Mas à queda vertiginosa que Serra teve a partir dessa data entre os internautas outros fatores, não levados em consideração, precisam ser lembrados.  
O primeiro deles foi o desempenho de Dilma no primeiro debate no segundo turno, o da Band, em que confrontou e calou Serra com Paulo Preto.
O segundo foi a revelação, após esse debate, de que a esposa de Serra, Mônica - que no primeiro turno fizera uma fala no interior do Rio relacionando Dilma à morte de criancinhas em abortos - teria dito a alunas em sala de aula que também fizera um aborto.  Essa revelação veio através do Facebook e não ganhou tanta repercussão em outras mídias quanto na Internet - certamente influenciou bastante os eleitores religiosos e internautas que se depararam com a hipocrisia em pessoa.
E, por fim, o #bolinhadepapelgate teve impacto quase que único na Internet, quando as versões apresentadas por Serra e pela TV Globo para o episódio iam sendo, uma a uma, desconstruídas pelos internautas.
Talvez fosse esperar muito que Ibope e a velha mídia fizessem essa leitura.

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