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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Morte na mídia: Os portais de notícias no mundo e no Brasil

Reproduzo abaixo post publicado no blog do Nassif em que o autor, Saulo Mileti, compara a cobertura no site de empresas jornalísticas do Brasil e do exterior acerca da morte de Amy Winehouse e do terrorismo na Noruega.
Minha única discordância é a que a introdução do autor simplifica a questão ao afirmar que os sites do exterior entenderam que a morte de 92 (número revisado depois para 76) é mais grave que a morte de uma.  Concordo com isso, mas acho que a questão vai ainda mais fundo - uma vez que a morte de Amy contribuiu para retirar do agendamento local o terror norueguês no momento em que seu vínculo com um discurso ideológico de direita semelhante a muitos ouvidos no Brasil, associada a uma discussão sobre mídia, regulação e limites de liberdade de opinião começou a se desenhar no horizonte da cobertura do caso.  Não é interessante à mídia local discutir isso porque tende a apontar suas próprias contradições ao dar espaço a Bolsonaros, Malafaias e a tantos ícones da direita no Brasil.


É curioso comparar alguns dos sites de notícias mais importantes do planeta com os principais aqui do Tupiniquim. Fiz isto domingo de manhã: 24 horas depois da Amy morrer; 48 horas depois do ataque terrorista na Noruega. A maior parte deles noticiava ambos os fatos. Mas enquanto os internacionais davam destaque para o assassinato das 92 pessoas, os brasileiros só falavam da falecida britânica, da homenagem dos artistas no Twitter, e outras coisas do tipo.

É pra pensar, não? É como se os veículos do mundo estivessem nos dizendo: É triste que uma inglesa morreu, mas não é um fato mais importante do que 92 outras mortes.

Veículos internacionais:
















Veículos nacionais:













Saulo Mileti
saulo@mileti.com.br
@saulomileti

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