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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Morte na mídia: Os portais de notícias no mundo e no Brasil

Reproduzo abaixo post publicado no blog do Nassif em que o autor, Saulo Mileti, compara a cobertura no site de empresas jornalísticas do Brasil e do exterior acerca da morte de Amy Winehouse e do terrorismo na Noruega.
Minha única discordância é a que a introdução do autor simplifica a questão ao afirmar que os sites do exterior entenderam que a morte de 92 (número revisado depois para 76) é mais grave que a morte de uma.  Concordo com isso, mas acho que a questão vai ainda mais fundo - uma vez que a morte de Amy contribuiu para retirar do agendamento local o terror norueguês no momento em que seu vínculo com um discurso ideológico de direita semelhante a muitos ouvidos no Brasil, associada a uma discussão sobre mídia, regulação e limites de liberdade de opinião começou a se desenhar no horizonte da cobertura do caso.  Não é interessante à mídia local discutir isso porque tende a apontar suas próprias contradições ao dar espaço a Bolsonaros, Malafaias e a tantos ícones da direita no Brasil.


É curioso comparar alguns dos sites de notícias mais importantes do planeta com os principais aqui do Tupiniquim. Fiz isto domingo de manhã: 24 horas depois da Amy morrer; 48 horas depois do ataque terrorista na Noruega. A maior parte deles noticiava ambos os fatos. Mas enquanto os internacionais davam destaque para o assassinato das 92 pessoas, os brasileiros só falavam da falecida britânica, da homenagem dos artistas no Twitter, e outras coisas do tipo.

É pra pensar, não? É como se os veículos do mundo estivessem nos dizendo: É triste que uma inglesa morreu, mas não é um fato mais importante do que 92 outras mortes.

Veículos internacionais:
















Veículos nacionais:













Saulo Mileti
saulo@mileti.com.br
@saulomileti

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