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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Grupo de cientistas liderado por Miguel Nicolelis sofre cisão

Está na Folha de S. Paulo de hoje:

CLAUDIO ANGELO
DE BRASÍLIA

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE

Um casamento que na década passada prometeu revolucionar a ciência brasileira terminou ontem, com um dos cônjuges literalmente pegando suas coisas e se mudando.
Os neurocientistas Sidarta Ribeiro e Miguel Nicolelis, cofundadores do IINN (Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra), estão "divorciados".
Na manhã de ontem, Ribeiro saiu do instituto com um caminhão carregado de equipamentos científicos, como centrífugas e computadores.
O material pertence à UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e foi requisitado pela reitora, Ângela Paiva Cruz, para suprir o recém-criado Instituto do Cérebro da universidade, liderado por Ribeiro.

DE MUDANÇA
Professores da UFRN que compõem a equipe científica do IINN vão deixar o instituto. Dos dez membros da equipe científica listados no site do instituto (natalneuro.org.br), só Nicolelis e o chileno Romulo Fuentes vão ficar.
Ribeiro pediu à Finep (Financiadora de Estudos e Projetos, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia) que transfira para a UFRN aparelhos comprados pelo instituto por R$ 6 milhões, como um microscópio caríssimo, encaixotado há seis meses.
Segundo a Folha apurou, a cisão foi causada por divergências sobre a gestão do instituto, nas mãos de Nicolelis.
O professor da Universidade Duke (EUA) preside a Aasdap (Associação Alberto Santos-Dumont), entidade privada que toca o instituto em convênio com a UFRN.
Apesar da parceria, ele teria limitado o acesso de alunos e professores da universidade aos equipamentos do IINN, irritando Ribeiro.
A gota d'água aconteceu em junho, quando Ribeiro, escolhido por Nicolelis para ser o primeiro diretor do IINN, em 2005, foi convidado a desocupar sua sala e a deixar de usar a garagem do instituto.

PATRIMÔNIO
Procurado pela Folha, Ribeiro não quis comentar a briga, mas disse que quer passar todos os equipamentos do IINN bancados com verba pública à gestão pública. "Os pesquisadores da Aasdap poderão ter acesso a tudo."
A reitora Ângela Paiva confirma que mandou retirar os equipamentos, mas nega a ruptura. "Estamos trabalhando com o Miguel Nicolelis para resolver o conflito."
O pesquisador da UFRN Sérgio Neuenschwander, que acaba de voltar ao Brasil para trabalhar no IINN após 23 anos no Instituto Max Planck, na Alemanha, tem uma visão diferente: "O Nicolelis contribuiu imensamente, mas a gestão dele foi muito destrutiva. Não tem volta."
Neuenschwander é um dos proponentes originais do instituto. Em 1995, ele, Ribeiro e Cláudio Mello, hoje na Universidade de Saúde e Ciência do Oregon (EUA), idealizaram uma forma de repatriar neurocientistas brasileiros.
O projeto ganhou forma após Nicolelis assumir sua liderança. Ele bancou a criação da Aasdap com US$ 450 mil do próprio bolso e obteve recursos do Banco Safra estimados em US$ 10 milhões.
A gestão público-privada, modelo usado nos EUA, daria mais agilidade à ciência, dizia Nicolelis.

OUTRO LADO

Diretora nega 'racha' entre os pesquisadores

DO EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE

Procurado pela Folha, o neurocientista Miguel Nicolelis não respondeu ao pedido para expor sua visão sobre o "divórcio" entre o instituto que coordena e os cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
No entanto, Neiva Paraschiva, diretora-executiva da Aasdap (Associação Alberto Santos-Dumont), órgão presidido por Nicolelis que gere o centro de pesquisas de Natal, nega que haja racha. "Estamos trabalhando para manter e até ampliar a parceria."

REGRAS
Segundo Paraschiva, os pesquisadores da UFRN estavam descontentes com as regras do instituto para uso de equipamentos e acesso de pessoas e pediram a transferência dos aparelhos.
"Tínhamos uma lista de 95 pessoas que podiam frequentar as dependências do instituto e pedíamos que a entrada de pessoas de fora da lista fosse avisada com antecedência", afirma.
Embora concorde que os equipamentos foram obtidos com dinheiro público, ela afirma que "a verba foi conseguida por Nicolelis".
Ela atribui a demora na instalação de aparelhos à complexidade deles e à dificuldade de achar mão de obra qualificada na região de Natal.
Paraschiva diz que substitutos para os especialistas que estão encerrando seu vínculo com o instituto estão sendo buscados. "Mas isso não impede que tenhamos parcerias com os antigos colaboradores no futuro." (RJL)



Comentários

  1. Lado 1 - É interessante pensar que uma decisão dessa saia depois do posicionamento politico e, normalmente, a exposição de um cientista em assuntos "menores", como uma prefeitura de uma pequena cidade do Nordeste.

    Lado 2 - Todos os olhos "populares" estão voltados para Nicolelis: entrevistas, twitter, etc.

    Lado 3 - Cria-se um núcleo sem equipamentos e lideranças. Um de seus parceiros sai para ser diretor? desse núcleo e deve ocupá-lo com os equipamentos? da parceria com a UFRN.

    Lado 4 - O acesso aos equipamentos para algumas pessoas estão sendo negadas. Mas, projetos importantes estão sendo expostos e desenvolvidos por esses equipamentos.

    Lado 5 - Ego sempre foi a pauta dos livros sobre cientistas.

    Pior lado - Enfraquecimento de um projeto que deu certo.

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  2. Esses pontos que você colocou me fizeram pensar em várias possibilidades, pouco públicas ou científicas, mas profundamente políticas para questões.

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