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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#ForaMicarla: Diante de qual trono?

Do Diário do Tempo, de Sérgio Vilar

Gostava de ler a Bíblia. Até tentei completar a leitura sequencial quando mais jovem. Fui educado sob forte influência religiosa. Tenho minhas convicções e sobretudo minha fé. E diante delas, afirmo: o meu “trono” é outro, é diferente do dessa banda (ou bando).

Na matéria da Tribuna do Norte publicada hoje (editoria de política) afirma que a gravação do DVD do grupo em Barretos custou R$ 45 mil. Aqui foram R$ 290 mil. “Recursos financeiros foram providos pelas mãos do Senhor através de diversos meios”, disse a vocalista.

Qual “Senhor”? Talvez aquele senhor que pede esmola na rua, à margem dos olhares municipais. Aquele senhor artista, renegado pelas políticas públicas à cultura. Ou de repente, o senhores safados do contracheque. Não é o Senhor “papai do céu” onde despejo minha fé.

A matéria diz que a vocalista Ana Paula Valadão confirmou a ajuda sem citar valores. Eu mesmo perguntei a ela e a afirmação foi de que a ajuda foi logística ou financeira mediante empresas e igrejas. Ela negou, sim, ajuda financeira pública. Omitiu e mentiu.

Enquanto renomados da música nacional viajam com equipes de três, cinco pessoas, a comitiva do grupo ocupou em Natal 58 apartamentos, segundo a TN. Custaram ao seu bolso, amigo trabalhador trapaciado, R$ 40 mil, pagos pelo Governo de Rosalba.

A “humilde” vocalista se hospedou com a sua família em um dos hoteis mais luxuosos da cidade. De certo, seus “chegados” também irão colaborar para o turismo da cidade. Sim, Turismo foi a rúbrica assinada pela prefeitura e governo para justificar o “louvor”.

Talvez por isso a Fundação receptora do seu dinheiro, amigo cidadão, se chame Oásis. Parabéns à prefeita, à governadora. A Tertuliano Pinheiro, um salve! Parabéns vereador Albert Dickson, o mentor! Um alô pra empreendedora Emproturn! Parabéns a todos pela ação cidadã!

E eu que li, ainda menino, que a Luxúria e a Ganância eram pecados capitais. Fui ensinado pelos meus pais que mentir é feio. Aprendi depois o que era hipocrisia. E até hoje aprendo quem são os pelegos de merda dessa cidade.

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