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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

A esquizofrenia do filósofo

Li trechos da entrevista de Luís Felipe Pondé à Veja a partir do blog de Reinaldo Azevedo.
Confesso que não conheço o pensamento do filósofo pernambucano e que comecei a entender um pouco do que ele defende a partir da mesa da FLIP em que participou.  Evidentemente essa fala junto a trechos de uma entrevista não são suficientes para compreensão da totalidade do pensamento de um sujeito - ainda mais um pensador polemista como Pondé.
A impressão que tive do pouco que li é dupla.  Em primeiro lugar, o pensamento de Pondé me pareceu bastante raso.  Falta-lhe aprofundamento - elabora bem tecnicamente o que defende mais carece reflexão para interligar ou dialogar conceitos e campos muitas vezes opostos.  Quero dizer que me pareceu que Pondé tenta pôr em diálogo diversos conceitos que nem sempre são próximos ou possíveis de se estabelecer em relação não conflituosa.  E faz isso sem esclarecer os seus leitores ou ouvintes a respeito.
Em decorrência desse primeiro ponto, e até pelo fato de que Pondé se coloca também como psicanalista, parece-me que o filósofo expõe um pensamento com características psicóticas.  Afinal, faz relação no mesmo patamar com três propostas que, em tese, provocariam uma tal cissão de alma que poderia levar um sujeito à loucura - ou a uma morte simbólica ou concreta.  A tal relação é a que estabelece entre uma forma de niilismo com um ceticismo/pessimismo franco, alinhado a uma crença cristã bem estabelecida.  Igualar os três em um mesmo patamar existencialista me soa como um traço de retórica de uma neurose do tempo ou do ser.
É possível aliar uma crença ou medo do nada, a um ceticismo filosófico descrente e a uma fé estabelecida no teísmo cristão?  E é possível construir isso de forma harmônica e criticando, por tabela, a esquerda?  Isso me soa como loucura, esquizofrenia, estupidez ou uma simples insensatez filosófica em busca de platéia.

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