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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

A esquerda lidera em Natal. Será?

O jornalista Alisson Almeida publicou hoje uma análise sobre a pesquisa Certus divulgada pela Tribuna do Norte deste domingo.  Nada a reparar na análise de Alisson, a não ser quando ele classifica tanto Carlos Eduardo Alves (PDT) como Wilma de Faria (PSB) como candidatos de esquerda.
Evidentemente, as legendas que abrigam Carlos Eduardo e Wilma de Faria são reconhecidamente partidos de esquerda - ao menos fora do RN.  Afinal, sem dúvida os deputados Brizola Neto, do PDT, e Luísa Erundina, do PSB, são legítimos representantes da esquerda brasileira.  Mas difícil chamar Carlos Eduardo e Wilma de esquerdistas.
Carlos Eduardo, por mais progressista que tenha sido à frente da prefeitura de Natal (e efetivamente o foi), é legítimo herdeiro da oligarquia Alves, do patriarca falecido Aluízio Alves - primo do deputado Henrique Alves, do ministro Garibaldi Alves Filho, sobrinho do senador Garibaldi Alves, filho do deputado estadual Agnelo Alves.
Sua trajetória, até 2002, estava intimamente relacionada ao PMDB da família.  Aliás, os Alves foram apoiadores do Golpe Militar de 64 e estiveram na Arena até serem cassados por causa da disputa política local entre Aluízio e Tarcísio Maia.  Carlos era vice-prefeito na gestão de Wilma, já no PSB.  Com a renúncia de Wilma para se candidatar ao governo do Estado, Carlos decidiu migrar para o PSB e assumir a prefeitura.
Após o processo eleitoral de 2008, Carlos deixou o PSB e em 2009 foi para o PDT a fim de disputar o governo do Estado.  Com a derrota ano passado, surgiu como favorito para a disputa à prefeitura no próximo ano.  Na pesquisa referida alcançou 40,8% das intenções de voto.
Wilma de Faria surgiu na política a partir do ex-marido, Lavoisier Maia, governador biônico do RN entre 79 e 82.  Na primeira gestão de José Agripino Maia, Wilma foi sua secretária de Ação Social e foi lançada candidata a prefeita de Natal em 85, contra Garibaldi Alves Filho.  Foi em favor de Wilma que Agripino protagonizou a tentativa de fraude que ficou conhecida como Escândalo do Rabo de Palha (clique aqui para ouvir as gravações).  Wilma perdeu esta eleição.
Em 1988, Wilma foi eleita para o primeiro dos três mandatos que teve como prefeita de Natal.  Na época, era deputada constituinte e já militava no PDT brizolista.  Começava sua caminhada em partidos do campo progressista.  Em 1996, na sua segunda eleição para prefeitura de Natal, já estava no PSB, onde permanece até hoje.
Com essas trajetórias, sou capaz de reconhecer Carlos Eduardo e Wilma como representantes de um campo mais progressista da política potiguar, mas nunca esquerdistas.  Carlos é representante da oligarquia Alves e Wilma é filha dos Maia - sem contar outras ligações familiares que a ex-prefeita e ex-governadora tem.

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