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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

“Como foi possível que tal pessoa fosse corrupta?”, pergunta Slavoj Zizek

O filósofo esloveno Slavoj Zizek foi entrevistado na edição de Junho da revista Cult.  Confesso que terminei de ler sua entrevista apenas hoje.  Zizek participou do 3o Congresso Internacional  de Jornalismo Cultural, promovido pela revista.  
Falou sobre a força que a ideologia tem ao negar a possibilidade de outros mundos.
Destacarei dois pequenos trechos de sua entrevista.
Zizek falava sobre o fato de crer que não há outro tipo de populismo, a não ser o baseado no medo.  O réporter, após uma referência do entrevistado a Hugo Chavez, pergunta sobre Lula. 
Foi mesmo populista o governo Lula? Não foi, pelo que sei.  Não vamos confundir populismo com apelo popular.
Vou dizer algo horrível para um esquerdista radical: numa escolha entre Chavez e Lula, fico com Lula.
Mais adiante, a revista o questiona sobre o silêncio da presidenta Dilma Rousseff a respeito das denúncias contra o ex-ministro Antônio Palocci.  Zizek responde:
Mas a corrupção individual não me interessa tanto como a questão geral, por exemplo: “Como foi possível que tal pessoa fosse corrupta?”.  Gosto das variações daquela frase brechtiana: “O que é um roubo a um banco comparado com a fundação de um banco?”. A mídia burguesa gosta desse tipo de escândalo porque reafirma o sistema.

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