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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Bom mesmo foi o BNDES pagar pela privataria tucana

Você que acreditou na lorota de que o BNDES se associar à fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour equivaleria a “dar” dinheiro ao bilionário Abílio Diniz, tem que saber de uma coisa: a mídia que bombardeou a tentativa do governo de impedir que o setor supermercadista caísse nas mãos do Walmart e que tal setor passasse a ser inteiramente controlado por estrangeiros é a mesma que apoiou que o mesmo BNDES financiasse a privataria tucana.
No caso do setor elétrico, o aporte do BNDES foi de 100% e a compradora AES, por exemplo, não pagou em dia nem a primeira prestação. Ao longo dos oito anos de mandato de Fernando Henrique Cardoso, as privatizações somaram 78,61 bilhões de dólares e os investidores estrangeiros contribuíram com míseros 53% do total. Essa revoltante privataria feita com dinheiro público ainda atingiu o sistema Telebrás e a mineradora Vale do Rio Doce.
Enquanto a mídia alegava que as negociatas eram sinônimos de “modernidade”, tratava de aproveitar a moleza tucana comprando o que era privatizado. O Estadão, por exemplo, comprou parte da operadora de celulares BCP,  hoje Claro, valendo-se do BNDES, é claro. Alguém consegue imaginar maior falta de ética do que um órgão de imprensa defender furiosamente política pública que o beneficiava alegando agir em nome do “interesse público”?
De qualquer forma, agora é tarde. O negócio foi para o brejo. O Walmart deve comprar o Carrefour e, assim, controlará ao menos 40% do setor supermercadista. E o que é melhor – para os americanos: sem que o Estado brasileiro ou qualquer grupo privado nacional possam interferir nas compras, que serão direcionadas a produtos estrangeiros em detrimento da indústria nacional, sem falar nos lucros de setor tão dinâmico que voarão para o exterior.
O prejuízo para o país é incalculável. Sobretudo para o trabalhador do setor, porque todos sabem como a mega transnacional Walmart trata seus empregados. E, como noticiou o portal Terra, o Walmart já anunciou que, a partir do ano que vem, tratará de comprar o que resta da concorrência de peso, o que fará surgir um gigantesco oligopólio que materializará as previsões sombrias daqueles que embarcaram na lorota da direita midiática.

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