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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

"Bobagem, essa coisa que inventaram que os pobres vão ganhar o reino dos céus", diz Lula

É no site de O Globo que lemos o texto a seguir:

Na Bahia, Lula discursou e fez a sua interpretação sobre uma passagem bíblica:
- Bobagem, essa coisa que inventaram que os pobres vão ganhar o reino dos céus. Nós queremos o reino agora, aqui na Terra. Para nós inventaram um slogan que tudo tá no futuro. É mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha do que um rico ir para o céu . O rico já está no céu, aqui. Porque um cara que levanta de manhã todo o dia, come do bom e do melhor, viaja para onde quer, janta do bom e do melhor, passeia, esse já está no céu. Agora o coitado que levanta de manhã, de sol a sol, no cabo de uma enxada, não tem uma maquininha para trabalhar, tem que cavar cada covinha, colocar lá e pisar com pé, depois não tem água para irrigar, quando ele colhe não tem preço. Esse vai pro inferno - discursou, para delírio das cerca de mil pessoas que lotavam o auditório de um hotel de Salvador, onde foi realizado o lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar da Bahia 2011/2012.

O ex-presidente fez esse discurso ontem.  O grande ícone da direita brasileira, Júlio Severo, afirmou que Lula teria dito que era bobagem a fala de Jesus.  É evidente que não.
Está claro na fala do ex-presidente sua crítica a toda concepção teológica - de origem medieval - que estimula o conformismo das classes subalternas com base na ideia de que é assim porque Deus quer e, em todo caso, há uma recompensa reservada na vida após a morte para quem sofre aqui neste mundo.
Carlos Queiroz, teólogo cearense da Igreja de Cristo, chama esse tipo de evangelho de pé na cova.  É esse evangelho que Lula critica.  É a esse evangelho se contrapõem movimentos como a Missão Integral e a Teologia da Libertação.  É essa religião que pode ser usada, ainda mais eficazmente, como ópio do povo - um instrumento ideológico para manutenção do status quo.  É a esse fim que se destinam diversas formas de movimentos religiosos cristãos na atualidade - notadamente aqueles que se recusam a aceitar o direito de oprimidos.
Religião é um discurso arbitrário e instrumento de dominação por natureza.  Não penso assim a respeito da fé.  A fé cristã há de ser uma forma de tensionar a religião cristã contra a sua natureza ideológica e dominadora.
Estou com Lula e não abro: usar um texto bíblico para justificar uma opressão é uma bobagem.  Mas que isso: é um crime.

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