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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

"Bobagem, essa coisa que inventaram que os pobres vão ganhar o reino dos céus", diz Lula

É no site de O Globo que lemos o texto a seguir:

Na Bahia, Lula discursou e fez a sua interpretação sobre uma passagem bíblica:
- Bobagem, essa coisa que inventaram que os pobres vão ganhar o reino dos céus. Nós queremos o reino agora, aqui na Terra. Para nós inventaram um slogan que tudo tá no futuro. É mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha do que um rico ir para o céu . O rico já está no céu, aqui. Porque um cara que levanta de manhã todo o dia, come do bom e do melhor, viaja para onde quer, janta do bom e do melhor, passeia, esse já está no céu. Agora o coitado que levanta de manhã, de sol a sol, no cabo de uma enxada, não tem uma maquininha para trabalhar, tem que cavar cada covinha, colocar lá e pisar com pé, depois não tem água para irrigar, quando ele colhe não tem preço. Esse vai pro inferno - discursou, para delírio das cerca de mil pessoas que lotavam o auditório de um hotel de Salvador, onde foi realizado o lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar da Bahia 2011/2012.

O ex-presidente fez esse discurso ontem.  O grande ícone da direita brasileira, Júlio Severo, afirmou que Lula teria dito que era bobagem a fala de Jesus.  É evidente que não.
Está claro na fala do ex-presidente sua crítica a toda concepção teológica - de origem medieval - que estimula o conformismo das classes subalternas com base na ideia de que é assim porque Deus quer e, em todo caso, há uma recompensa reservada na vida após a morte para quem sofre aqui neste mundo.
Carlos Queiroz, teólogo cearense da Igreja de Cristo, chama esse tipo de evangelho de pé na cova.  É esse evangelho que Lula critica.  É a esse evangelho se contrapõem movimentos como a Missão Integral e a Teologia da Libertação.  É essa religião que pode ser usada, ainda mais eficazmente, como ópio do povo - um instrumento ideológico para manutenção do status quo.  É a esse fim que se destinam diversas formas de movimentos religiosos cristãos na atualidade - notadamente aqueles que se recusam a aceitar o direito de oprimidos.
Religião é um discurso arbitrário e instrumento de dominação por natureza.  Não penso assim a respeito da fé.  A fé cristã há de ser uma forma de tensionar a religião cristã contra a sua natureza ideológica e dominadora.
Estou com Lula e não abro: usar um texto bíblico para justificar uma opressão é uma bobagem.  Mas que isso: é um crime.

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