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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Assisti parte de um bom filme ontem, que há muito tempo não assistia. Bye, bye Brasil, de Cacá Diegues, com interpretações bem marcantes de José Wilker, como Mestre Cigano, e Fábio Júnior, como Ciço.
Em que pese as deficiências técnicas do cinema brasileiro dos fins dos anos 70, algumas cenas são antológicas. Quando Cigano tenta ludibriar os sertanejos no seu número de mágica, fingindo, por exemplo, falar com um morto, as colocações críticas de um cinema produzido no ocaso da Ditadura são fantásticas. Vale a pena assistir, se não só pela música de Chico Buarque.

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