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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Assisti parte de um bom filme ontem, que há muito tempo não assistia. Bye, bye Brasil, de Cacá Diegues, com interpretações bem marcantes de José Wilker, como Mestre Cigano, e Fábio Júnior, como Ciço.
Em que pese as deficiências técnicas do cinema brasileiro dos fins dos anos 70, algumas cenas são antológicas. Quando Cigano tenta ludibriar os sertanejos no seu número de mágica, fingindo, por exemplo, falar com um morto, as colocações críticas de um cinema produzido no ocaso da Ditadura são fantásticas. Vale a pena assistir, se não só pela música de Chico Buarque.

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