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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
A trilha sonora desses dias, em meu coração, era Chico César e Zeca Baleiro:

Quando fui na ilha maravilha
Fui tratado como um paxá
Me deram arroz de cuxá
Água gelada da bilha
Cozido de jurará
Alavantu na quadrilha

É pedra é pedra é pedra
É pedra de responsa
mamãe eu volto pra ilha nem que seja montado na onça

Me levaram no boi-bumbá pra dançar
Eu dancei
Me deram catuaba pra provar
Aprovei
Me deram um cigarrim pra fumar
Menino como eu gostei
Mamãe eu quero sucesso
Dinheiro mulher e champanhe
Mamãe teu filho merece
Vera Fischer very money
(Demi Moore more money)

A trilha estava aqui. Pena que ela não estava.

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