Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Fiquei indignado ontem com as cenas do jogo em Recife, nos Aflitos. André Luiz estava muito transtornado, mas é nessas horas que a Polícia precisa agir com calma. Assim se faz em lugares civilizados: a contenção de cidadãos alterados deve ser feita por uma polícia tranqüila, calma, sem violência e científica até. A atitude da PM, na prisão do jogador e do grande Bebeto de Freitas, foi de lamentar e temer que os resquícios do regime de exceção no país. E a PM de Recife é especialmente complicada. Conheço muitos relatos de violência semelhante contra cidadãos no meio da rua - sem câmeras e sem transmissão ao vivo. A sociedade não pode coadunar com uma polícia assim. Sob pena de a própria sociedade ser a vítima. É essa forma de encarar as coisas que torna possível o surgimento de milícias no Rio de Janeiro: a sociedade aceita uma polícia que se põe acima da lei e do bem e do mal. Aí, a barbárie se instala.
O maior problema das cenas de ontem, para mim, está no que aquilo simbolizava quanto à sociedade e a forma que essa sociedade pensa segurança pública e a polícia. Espero que possamos mudar esse quadro. É para refletir um fato: se a polícia é capaz de agir assim contra um jogador de futebol (um jogador de futebol, não um bandido) e contra um ícone do esporte mundial, que é Bebeto de Freitas, e diante de câmeras que transmitem ao vivo, como agiria contra mim? Será que aqueles PMs achavam que nós aplaudiríamos àquilo tudo? Eu reprovo. Eu lamento. Eu torço para que as coisas mudem. Eu não aceito uma polícia que queira se comportar como se a sociedade fosse sua inimiga mortal. Não pode ser.
Fiquei pensando outra coisa também: como se sentiu André Luiz, Bebeto e suas famílias ao se verem tratados de maneira que nem os piores bandidos devem ser tratados? E o medo quando viram seus queridos, de maneira estúpida, serem arrastados pelo meio da torcida do Náutico? Por mim, os times de Recife, que vão muito bem, deviam ficar umas rodadas sem mando de campo. Para que a sua PM aprenda a lidar com um espetáculo esportivo.

Comentários

Postagens mais visitadas