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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Não conhecem a Deus

Não conhecem a Deus

 

Para fazer com que vocês fiquem envergonhados, eu digo o seguinte: alguns de vocês não conhecem a Deus.

1 Coríntios 15. 34

 

Não é sem temor que eu sirvo a Deus.  Mas não posso negar que, de vez em quando, esse temor beira o medo.  Especialmente quando me proponho a penetrar na intimidade do Senhor com uma consciência bem vívida de quem eu seja.  Nessas horas, sei mais que nunca que não poderia permanecer vivo na presença de Deus se não fosse a Sua graça.  E tenho medo porque me vejo pecador como realmente sou.

Tenho medo, nessas horas, também, porque sei que Deus fará tudo o que for necessário para transformar o meu caráter de santidade em santidade.  Sei que Ele fará o que for preciso para mudar minha vida e me tornar mais semelhante a Si mesmo.  E, geralmente, esse processo é doloroso, muito doloroso. 

Já o experimentei.  E lembrei hoje que sempre tem sido minha oração a Deus de que Ele faça o que precisar para mudar a minha vida, mesmo que doa.  E eu tive medo, porque não sou masoquista e não gosto de sofrer.  Tive medo ao abrir meu coração para a mudança de Deus, ciente de que doerá se for o melhor para mim.

Já o experimentei.  Eu fiz essa oração muitas vezes em minha vida.  E ela sempre me conduziu a momentos impressionantes de crescimento através da dor.  Por não ser masoquista, tantas vezes me questionei porque ainda preferia isso a me afastar do Senhor.  A única resposta possível foi dada por Pedro, muito tempo atrás: Quem é que vamos seguir?  O Senhor tem as palavras que dão a vida eterna! (Jo. 6. 68).

Muitos dentre nós, no entanto, não conseguem alcançar a dimensão disso tudo que falamos.  Até acreditam que vale a pena ser cristão, se reunir como igreja.  Mas mantém sua irreverência diante de Deus.  Levam suas vidas sem tremor e sem temor a Ele.  Caminham como se cristãos fossem, pedindo ao Senhor que faça nas suas vidas o que for a Sua vontade, mas são incapazes de conceber a profundidade do que dizem.  Assim, se surpreendem quando Deus começa a agir para transformar seus caracteres e retirar seus pecados.  Esse processo dói, porque se não doer não somos filhos, somos bastardos (Hb. 12. 8).  Mas alguns de nós não querem que doa porque realmente não conhecem a Deus.

Para fazer com que vocês fiquem envergonhados, eu digo o seguinte: alguns de vocês não conhecem a Deus.  Se realmente conhecermos a Deus, sofremos muito a cada pecado que cometermos.  Se realmente conhecermos a Deus, será impossível andar no dia a dia sem uma profunda convicção de pecado no coração.  Se realmente conhecermos a Deus, será impossível não vivermos uma vida na dimensão da reverência, do temor e do tremor.  Se realmente conhecermos a Deus, não temeremos em demasia a dor porque saberemos que ela será nossa pedagoga no caminho de nos tornarmos mais semelhantes a Deus.  Não optaremos por fugir da dor, porque estaremos cientes que fugir da dor será fugir da cura, será nos afastarmos do processo que Deus dirige de transformar nosso caráter e santificar a nossa vida.

Se você quer conhecer a Deus de verdade, saiba que não há nada fácil nesse processo.  Dia a dia, você morrerá um pouco.  Dia a dia, você se deparará com a sua sujeira do seu coração e se quedará profundamente entristecido por ela.  Dia a dia, você será chamado a abrir mão da sua vida em favor do serviço, da comunhão e do prazer de se andar com Deus.  As coisas não serão fáceis, mas você aprenderá que tudo vale a pena porque, como Pedro, você será levado a dizer: Quem é que vamos seguir?  O Senhor tem as palavras que dão a vida eterna!

 

Daniel Dantas

Missionário da 1ª IPI do Natal

http://cavernadeadulao.blogspot.com

 

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