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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Nada

Nada

 

Pois eu tenho a certeza de que nada pode nos separar do amor de Deus: nem a morte, nem a vida; nem os anjos, nem outras autoridades ou poderes celestiais; nem o presente, nem o futuro; nem o mundo lá de cima, nem o mundo lá de baixo.  Em todo o Universo não há nada que possa nos separar do amor de Deus, que é nosso por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor.

Romanos 8. 38 ? 39.

 

Acredito que faça parte da vida de qualquer cristão, em um momento ou outro, a sensação de que se encontra terrivelmente afastado de Deus.  O sentimento de que tudo veio abaixo, que a sua relação com Deus se espatifou, que essa história acabou.  Fazem parte de nossa vida com Cristo situações em que nos sentimos vencidos e afastados, definitivamente, do amor de Deus, que conhecemos em Cristo Jesus.

Na maior parte das vezes é nosso pecado que nos provoca esta sensação.  Ele nos rouba a alegria de nossa salvação.  Ele nos faz sentir sujos e condenados.  Ele nos faz sentirmo-nos imperdoáveis.  O nosso pecado nos acusa diante do Pai e, não há escapatória, conscientes de nossa indignidade e conscientes do nosso não merecimento, nos quedamos profundamente culpados.  Acreditamos, muitas vezes, que será impossível restaurar a consciência de sermos amados por Deus, simplesmente porque não acreditamos mais nisso.  A consciência de nosso pecado nos conduz ao sentimento de que, por não merecermos o amor de Deus, por pecarmos, nos afastamos definitivamente deste amor.  Mas é bom nessas horas lembrar: Pois eu tenho a certeza de que nada pode nos separar do amor de Deus (...)Em todo o Universo não há nada que possa nos separar do amor de Deus, que é nosso por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor.

Outras vezes, ao enfrentarmos as lutas que tantas vezes nos afligem, ao experimentarmos a dor e o sofrimento que tantas vezes nos emudecem, podemos acreditar que fomos abandonados pelo amor de Deus.  Se Deus nos ama, por que tanta dor?  Se Deus nos ama, por que o sofrimento?  É muito complicado não acreditar, nestas horas, que o amor de Deus nos abandonou.  Nossa família se desfez, nossos sonhos se extinguiram, um ente amado faleceu.  As coisas aparentemente mais injustas têm lugar na vida e não conseguimos compreender.  Será difícil não acreditar que fomos deixados de lado por Deus e Seu amor em nossa caminhada.  Essa dor insuportável sufoca qualquer fé na realidade e presença do amor de Deus.  Mas é bom nessas horas lembrar: Pois eu tenho a certeza de que nada pode nos separar do amor de Deus (...)Em todo o Universo não há nada que possa nos separar do amor de Deus, que é nosso por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor.

Adversários podem tentar nos afastar ou nos fazer acreditar que fomos afastados do amor de Deus.  Anjos, poderes e autoridades espirituais, ou mesmo outros seres humanos podem nos fazer crer que o amor de Deus nos abandonou ou podem tentar nos lançar para longe desse amor.  Lembro, nessa hora, da história de Davi e Saul.  O rei está perseguindo o seu principal guerreiro, acreditando que Davi trama contra sua vida e seu reino.  Por uma e outra vez o futuro rei teve em suas mãos a vida de Saul.  Não por falta de estímulo, Davi poupou a vida do rei.  Porque acreditava que ninguém toca, impunemente, no rei separado por Deus.  Em determinado momento, após a segunda ocasião em que isso acontece, Davi conversa com Saul e diz que o rei está dando ouvidos a inimigos que mentem e merecem a maldição do Senhor, pois me expulsaram da terra do Senhor para uma terra onde posso adorar somente deuses estrangeiros.  Não me deixe ser morto em terra estrangeira, longe do Senhor Deus! (1 Sm. 26. 19 ? 20).  É curioso o modo como Davi acusa esses inimigos de tentarem desviá-lo de diante do Deus Verdadeiro e do Seu amor, e clama a Saul que lhe permita voltar a viver na presença do Senhor.  Este exemplo mostra que, muitas vezes, são inimigos, de carne e osso ou simplesmente espirituais, que tentam nos afastar do amor de Deus.  Mas é bom nessas horas lembrar: Pois eu tenho a certeza de que nada pode nos separar do amor de Deus (...)Em todo o Universo não há nada que possa nos separar do amor de Deus, que é nosso por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor.

Pecado algum, luta alguma, sofrimento algum e nenhum adversário é suficientemente poderoso para nos afastar do amor de Deus, revelado e manifesto em Cristo Jesus: nem a morte, nem a vida; nem os anjos, nem outras autoridades ou poderes celestiais; nem o presente, nem o futuro; nem o mundo lá de cima, nem o mundo lá de baixo. 

O amor de Deus é infinito: Assim como é grande a distância entre o céu e a terra, assim é grande o Seu amor por aqueles que O temem (Sl. 103. 11).  No imaginário dos tempos antigos, a terra era rodeada por uma abóboda.  Havia, assim, um limite para o céu, mas um limite inalcançável para o homem.  Desse modo, a imagem alude a uma distância enorme, humanamente impossível de ser concebida ou alcançada pelo ser humano.  Se transpusermos esta imagem para o conhecimento e os avanços de nosso tempo, a noção de infinitude desse amor se ampliará.  Se você tentar alcançar o limite do céu se deparará com um Universo infinito e em expansão constante.  Quanto mais você quiser alcançar a borda do céu, mais distante ela estará e mais infinita ela será.  Um espaço incompreensível dentro de nossas cabeças limitadas.

Esse é o tamanho do amor eterno de Deus por nós.  Infinito.  Ilimitado.  E coisa alguma pode nos afastar desse amor.  Nada.

 

Daniel Dantas

Missionário da 1ª IPI do Natal

http://cavernadeadulao.blogspot.com

 

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