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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Em guerra

 

Em guerra

 

E assim os piores inimigos de uma pessoa serão os seus próprios parentes.

Mateus 10. 36

 

Tive um sonho muito inquietante esta semana que me inspirou uma reflexão bem relevante à minha vida.  Sonhei que era um soldado no meio de uma guerra.  Na verdade, um agente especial que tinha uma missão a cumprir.  No desenrolar dos acontecimentos, eu pude ver os piores horrores de um campo de batalha.  Mas, devido à urgência da missão em que me encontrava, fui guardando no peito todas aquelas coisas feias que via.  Não podia me dar ao luxo de me impactar por elas, nem de chorar por elas.  Não podia perder tempo.

O momento mais difícil do sonho se deu quando, resgatando alguém do meio da batalha, me vi perseguido por quatro pessoas.  Mesmo sem poder identificá-las, sabia que se tratavam de quatro dos meus melhores amigos.  Era matar ou morrer.  E eu os matei para salvar a minha vida e aquele que eu protegia.  E aquilo me doeu incrivelmente.

Então, eu voltei para casa.  Após me acomodar em meu lar, saí rumo a uma atividade da igreja.  O interessante é que aquela atividade não acontecia no templo, mas em um outro ambiente mais informal.  Chegando lá, sabia que toda a igreja estava presente, mas apenas pude reconhecer um casal amigo.  E fiquei junto a eles.  Naquele instante, a congregação estava cantando uma versão de Teus olhos, de Marcos Witt.  Minha única reação foi quedar-me de joelhos, quebrado pelas lutas, por tudo que vi na guerra, por todo horror que vivenciei, pelas coisas que tive de fazer, pelos amigos em quem tive de atirar.  E eu chorei muito.  Demais.  Tanto que acordei, no meio da madrugada, chorando, profundamente impactado.

O momento mais difícil de tudo foi ter de atirar nos meus amigos.  Aquilo doeu demais.  Um amiga a quem contei o sonho me fez lembrar de um texto bíblico, e me conduziu a refletir sobre ele: E assim os piores inimigos de uma pessoa serão os seus próprios parentes.  E me pus a pensar sobre como, tantas vezes, as piores batalhas que nós enfrentamos, as piores perseguições que sofremos, os maiores horrores que encaramos no campo de batalha de nossas vidas são protagonizados por pessoas a quem amamos muito.  Somos perseguidos por amigos, parentes, pessoas de nossa própria casa.  Estes se tornam os nossos principais inimigos.

Se a batalha pela fé já, em si, extenuante, ela se torna mais complicada quando as pessoas em quem confiamos e de quem esperamos apoio, se voltam contra nós ou se põem como complicadores da situação.  É como se fosse roubado de nós o nosso único alento, o nosso apoio.  Estamos em guerra e nossos inimigos estão fortalecidos pelos nossos maiores amigos.

É possível que você saiba exatamente o que estou falando.  É possível que você já tenha experimentado coisas tremendas na sua vida cristã.  É possível que você já tenha vivenciado as piores experiências, as coisas mais dolorosas.  É possível que você já tenha vivido a situação de estar no meio de uma missão urgente, sendo perseguido por seus amigos e parentes que são incapazes de compreenderem o que você está fazendo.  Você já pode ter vivido isso e sabe como é difícil encarar, superar e encontrar conforto nessas horas.

O nosso conforto vem do Senhor.  É interessante o que a letra de Teus olhos diz: 

Teus olhos revelam que eu
Nada posso esconder
E que não sou nada sem Ti, Oh fiel Senhor
Tudo sabes de mim,
Quando Sondas o meu coracão
Eis que tudo podes ver, bem dentro de mim
Leva minha vida, a uma só verdade
E quando me sondas, nada posso ocultar
 
Sei, é  Tua fidelidade
Leva a minha vida mais além
Do que eu possa imaginar
Sei e não posso negar
Que os Teus olhos sobre mim
Me enchem da Tua paz
 
O olhar do Senhor, o Justo Juiz, está sempre sobre nós.  Do Senhor Fiel não escapa nada, tudo Ele pode ver.  E por causa disso, podemos tranqüilizar o nosso coração.  Porque Ele conhece o nosso coração.  E mesmo que sejamos incompreendidos pelas pessoas que amamos, Ele conhece o nosso coração.  Ele não retira o Seu amor de nós.  Ele não retira os Seus olhos de sobre nós. 
Ele sabe as lutas que enfrentamos.  Ele conosco em cada uma delas.  Ele cuida de nós para cumpramos a missão que nos deu.  Ele nos leva pela Sua fidelidade a uma vida de dimensão nunca antes imaginada por nosso coração, por nossa mente, por nossa alma.  Ele nos leva a uma dimensão de comunhão com Ele que não podemos imaginar.  E por causa disso, no meio da luta, no meio dos sofrimentos, no meio da batalha, no meio da guerra que pode se travar contra os inimigos de nosso lar, no meio disso tudo, podemos ter a paz do Senhor em nosso coração, arbitrando todas coisas.  Porque sabemos que os olhos do Senhor sempre estarão postos sobre nós.  Ele nos vê.  E os Seus olhos nos enchem de paz.
 
Daniel Dantas
Missionário da 1ª IPI do Natal
 

 

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