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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Ei, deixa eu contar uma novidade: o Papa João Paulo II morreu. Era o Papa Pop. Se qualquer um tentar ser pop como ele era, usar a mídia como ele usou, explorar as câmeras como ele explorou, diremos todos que é um plagiador.
O Papa morreu e eu não vi. Passei a madrugada mudando entre a CNN, a CNN em Espanhol e a Band News para ver a morte do Papa. Passei o dia acompanhando, mas tinha um compromisso lá pelas cinco horas, quando sai de casa. E o Papa morreu e eu não vi.
Meus pêsames aos católicos romanos. Acabou o terceiro maior reinado da história da Cúria Romana.

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