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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Aqueles que acreditam muito na fé evangélica de George W. Bush devem estar se escondendo de vergonha depois da cena em que ele, seu pai e Bill Clinton, todos cristãos evangélicos, oraram diante do corpo do Papa hoje no Vaticano. Uma coisa é o fato de visitar o velório e ir ao funeral de João Paulo II. Coisa diferente é fazer uma oração ali (que oração? Por quem? Ou era só jogo de cena?). Deu para ler nos lábios de Clinton e de Condolezza Rice o Amém ao fim da prece. Mas Bush começou bem ao dizer que João Paulo II era um homem santo...

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