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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
A Câmara aprovou ontem à noite, por esmagodora maioria, a liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias no país. Assisti a sessão pela TV Câmara. Eu fiquei com vergonha de ser crente durante os debates devido à qualidade dos argumentos que os evangélicos usaram para defenderem sua posição contrária à liberação. Um deputado pastor chegou a dizer o absurdo que essa decisão era o primeiro passo para a liberação do aborto no país. Eu pergunto: o que uma coisa tem a ver com outra?
Eu fiquei tão indignado quando vi no jornal que a bancada evangélica estava se posicionando contrariamente ao projeto que inventei um abaixo-assinado que não sei se chegou a ser enviado para o deputado Adelor Vieira, do PMDB de Santa Catarina, presidente da Frente Parlamentar Evangélica. Mas eu cheguei a escrever pessoalmente para o deputado para questionar porque era pecado usar os embriões congelados na pesquisa e não era jogá-los no lixo. Sim, porque caso os embriões que a Lei de Biossegurança libera para a pesquisa não fossem usados para trazer esperança a milhares de doentes graves, seu destino era o lixo, já que são inviáveis para a gestação.
O meu problema não é da moralidade do uso dos embriões, mas sim do absurdo de condená-los ao lixo e condenar milhares de pessoas ao sofrimento sem esperança. Os processos de fertilização in vitro, que nossa sociedade permite e que nunca ouvi um evangélico sequer questionar, gera inúmeros embriões que não serão usados. Esse resto irá, fatalmente, para o lixo. Se os crentes queriam questionar essas coisas a partir da Lei de Deus, teriam de começar pela própria liberação da fertilização in vitro. Agora, ninguém vai me convencer que é contra a Lei de Deus liberar essas células para pesquisa, quando a alternativa seria o lixo. Por isso, graças a Deus o projeto foi aprovado.

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