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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
A Câmara aprovou ontem à noite, por esmagodora maioria, a liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias no país. Assisti a sessão pela TV Câmara. Eu fiquei com vergonha de ser crente durante os debates devido à qualidade dos argumentos que os evangélicos usaram para defenderem sua posição contrária à liberação. Um deputado pastor chegou a dizer o absurdo que essa decisão era o primeiro passo para a liberação do aborto no país. Eu pergunto: o que uma coisa tem a ver com outra?
Eu fiquei tão indignado quando vi no jornal que a bancada evangélica estava se posicionando contrariamente ao projeto que inventei um abaixo-assinado que não sei se chegou a ser enviado para o deputado Adelor Vieira, do PMDB de Santa Catarina, presidente da Frente Parlamentar Evangélica. Mas eu cheguei a escrever pessoalmente para o deputado para questionar porque era pecado usar os embriões congelados na pesquisa e não era jogá-los no lixo. Sim, porque caso os embriões que a Lei de Biossegurança libera para a pesquisa não fossem usados para trazer esperança a milhares de doentes graves, seu destino era o lixo, já que são inviáveis para a gestação.
O meu problema não é da moralidade do uso dos embriões, mas sim do absurdo de condená-los ao lixo e condenar milhares de pessoas ao sofrimento sem esperança. Os processos de fertilização in vitro, que nossa sociedade permite e que nunca ouvi um evangélico sequer questionar, gera inúmeros embriões que não serão usados. Esse resto irá, fatalmente, para o lixo. Se os crentes queriam questionar essas coisas a partir da Lei de Deus, teriam de começar pela própria liberação da fertilização in vitro. Agora, ninguém vai me convencer que é contra a Lei de Deus liberar essas células para pesquisa, quando a alternativa seria o lixo. Por isso, graças a Deus o projeto foi aprovado.

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