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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Tudo correu muito bem no retiro. Todas as programações agradaram aos participantes, os cultos foram fantásticos, Deus nos falou muito por meio do preletor, Igor Kawanishi (acho que é assim o nome dele).
A única ressalva foi um conflito surgido em meio à minha ministração, na segunda pela manhã. Falava sobre meditação e um grupo de irmãos se insurgiram contra um exercício de concentração que eu estava propondo. Quase se transforma na Terceira Guerra Mundial. Quase eu choro (está bom, eu chorei).
A minha mágoa, devidamente confessada e perdoada pelos irmãos, não se originou do fato de os irmãos terem se oposto à minha proposta, porque isso eu já esperava, mas sim de eles terem desrespeitado a minha posição de professor, provocando toda a polêmica e impedindo a realização da dinâmica. Isso não é uma coisa que eu costumo fazer. Se eu tenho argumentos para desfazer o que o pregador ou professor está dizendo, na igreja, eu prefiro não os expor para preservar a sua autoridade. Nesse caso específico, nem argumentos apropriados os três irmãos tinham. Só me restou dizer que eles iam perder a bênção movidos pelo preconceito de seus corações.
Mas a melhor parte dessa história foi que pudemos conversar mais tarde. Os irmãos pediram perdão pelo que fizeram, eu pedi perdão pela mágoa. E acho que em breve terei a chance de fazer o exercício com outro grupo da Igreja.
Por fim, outra coisa que aprendi por lá, nesses dias, é que só voltarei a fazer papel de "cupido" quando estiver muito bem arranjado.

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