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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Saciando a sede

Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Como dizem as Escrituras Sagradas: “Rios de água viva vão jorrar do coração de quem crê em mim”.

João 7. 37 - 38

Mês passado fiz uma viagem para o Seridó Potiguar. Depois de passar por uma serra chamada “do Doutor”, começamos a perceber os efeitos da estiagem na terra seca. A temperatura subiu muito. A paisagem ficou amarronzada com a caatinga sem água. E a gente começou a ver muitos animais mortos de fome e sede às margens da estrada.

Na volta, em torno da uma da tarde, o calor era maior. Apesar do ar condicionado do veículo, a carenagem estava tão quente que o calor extravasava para dentro do carro. E eu olhava admirado como seria possível alguém viver e trabalhar em terra tão inóspita. Para mim, seria impossível. Doía somente imaginar que tipo de vida o sertanejo suportava.


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