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Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Dia desses estava conversando com uma amiga que me dizia que eu tinha um problema de auto-estima. No momento eu concordei. Mas, de lá para cá, pensando no assunto, terminei por identificar uma coisa certa. Eu tenho andado insatisfeito com algumas atitudes e posições que tenho assumido. E isso tem me decepcionado um bocado comigo mesmo.
Provavelmente isso seja um problema de estima mas, por exemplo, uma das coisas que mais tem me feito pensar é uma perda parcial da minha visão crítica do mundo. Às vezes não me reconheço mais quando a injustiça e a iniquidade social não me provocam mais a revolta ousada de tempos atrás. É como se a fonte do Espírito profético, na estirpe de homens como Amós, estivesse se esvaindo. Isso me preocupa porque parece que estou me afastando do centro da vontade de Deus para minha vida.
Por outro lado, tenho gastado boa parte do meu tempo com o Senhor em, digamos, lamber minhas feridas. Tenho escrito sobre isso. Tenho procurado abençoar outros com isso. Mas parece que me focar somente sobre esse lado da moeda não tem me feito me sentir muito satisfeito. Sinto-me incompleto.
Além disso, a convicção de pecado me tem feito sentir vergonha, algumas vezes, de me dizer cristão. Dizer-me cristão, algumas vezes, soa como hipocrisia. Mas, acho que já falei demais.

Comentários

  1. Daniel?
    Confesso que achei estranhas algumas coisas nesse post-desabafo...
    abraço fraterno,
    vando

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  2. Vando, eu tb estranho algumas coisas q disse. às vezes a gente nem se toca do q está dizendo, de como é profundo.

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  3. sabe daniel,
    de verdade?
    prefiro assim: "nada do que é humano me é estranho". Por que? porque humano sou.
    como diria pastinha: grande é Deus, pequeno eu sou.
    ainda q doutrina me seja - aí sim - estranha. e muitas das doutrinas é q nos fazem mal.
    vando
    www.pensamentojovem.com

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