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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Deus é tudo o que eu tenho (final)

A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto, esperarei nEle.

Lm. 3. 24

Dia desses, eu estava em um ponto de ônibus indo para a igreja quando vi uma cena que me chamou a atenção. Uma garotinha, de olhos curiosos, observava tudo e todos desde os braços de sua mãe. Visivelmente a sua segurança para vasculhar tudo o que estava a sua volta se firmava no fato de estar no colo de sua mãe. As pessoas que estavam ali lhe eram estranhas. O ambiente era algo novo para ela. Mas ela não temia vasculhar e descobrir as novidades porque sabia que estava segura e salva nos braços de sua mãe. Ninguém lhe atacaria. Ninguém podia lhe assustar. Ninguém lhe machucaria porque sua mãe a protegia. Toda a confiança daquela garotinha repousava no colo da mãe. E, firmada nessa confiança, ela, ousadamente, desafiava o mundo novo à sua volta.

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