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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Deus é tudo o que eu tenho (final)

A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto, esperarei nEle.

Lm. 3. 24

Dia desses, eu estava em um ponto de ônibus indo para a igreja quando vi uma cena que me chamou a atenção. Uma garotinha, de olhos curiosos, observava tudo e todos desde os braços de sua mãe. Visivelmente a sua segurança para vasculhar tudo o que estava a sua volta se firmava no fato de estar no colo de sua mãe. As pessoas que estavam ali lhe eram estranhas. O ambiente era algo novo para ela. Mas ela não temia vasculhar e descobrir as novidades porque sabia que estava segura e salva nos braços de sua mãe. Ninguém lhe atacaria. Ninguém podia lhe assustar. Ninguém lhe machucaria porque sua mãe a protegia. Toda a confiança daquela garotinha repousava no colo da mãe. E, firmada nessa confiança, ela, ousadamente, desafiava o mundo novo à sua volta.

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