Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Estou a caminho de afirmar uma nova forma de etnocentrismo. Estou me tornando etnocêntrico. Estou a ponto de dizer que Deus só aceita a cultura nordestina. Que o xote, o xaxado, o forró, o baião são a mais pura manifestação da alma e da vida humana e, por isso, as mais aceitáveis produções culturais que o homem jamais pôde produzir.
Estou encantado por ser nordestino e ter nascido nessa cultura tão doce, rica, ritmada. Estou encantado pelo pulsar da oração da zabumba e do triângulo, pelo respirar do louvor do fole da sanfona, pelo lamentar sertanejo das letras de Luiz Gonzaga, pelo som abafado das preces dos chiados dos chinelos que são conduzidos por forrozeiros em cada sala de reboco desse país. Tenho amado meu povo e minha cultura. A riqueza da melodia e o equilíbrio da pulsação. O corpo, a mente, a vida me pede pelo autêntico som do trio pé-de-serra.
Gosto de hip-hop. Gosto de rock. Gosto de rap. Mas nada para mim é tão meu quanto o som do Gonzagão. O som do velho Lua. O som do xote, xaxado, baião e forró. Estou a caminho de me tornar etnocêntrico e afirmar a cultura nordestina como o centro do mundo.

Comentários

Postagens mais visitadas