Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Estou a caminho de afirmar uma nova forma de etnocentrismo. Estou me tornando etnocêntrico. Estou a ponto de dizer que Deus só aceita a cultura nordestina. Que o xote, o xaxado, o forró, o baião são a mais pura manifestação da alma e da vida humana e, por isso, as mais aceitáveis produções culturais que o homem jamais pôde produzir.
Estou encantado por ser nordestino e ter nascido nessa cultura tão doce, rica, ritmada. Estou encantado pelo pulsar da oração da zabumba e do triângulo, pelo respirar do louvor do fole da sanfona, pelo lamentar sertanejo das letras de Luiz Gonzaga, pelo som abafado das preces dos chiados dos chinelos que são conduzidos por forrozeiros em cada sala de reboco desse país. Tenho amado meu povo e minha cultura. A riqueza da melodia e o equilíbrio da pulsação. O corpo, a mente, a vida me pede pelo autêntico som do trio pé-de-serra.
Gosto de hip-hop. Gosto de rock. Gosto de rap. Mas nada para mim é tão meu quanto o som do Gonzagão. O som do velho Lua. O som do xote, xaxado, baião e forró. Estou a caminho de me tornar etnocêntrico e afirmar a cultura nordestina como o centro do mundo.

Comentários

Postagens mais visitadas