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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Sábado fui à colação de grau da turma de Pedagogia da UFRN. Duas amigas se formavam: Flávia e Mônica. O discurso da oradora foi fantástico. Valeu meu aplauso de pé. Bem fundamentado teórica e praticamente, críticas absolutamente relevantes para o sistema educacional brasileiro. Aquela menina me empolgou mesmo. O momento mais tocante foi quando as palmas a interromperam ao criticar o projeto Amigos da Escola. Já disse antes aqui que voluntariado é atitude louvável no que diz respeito à participação da sociedade civil na cidadania. Mas não é essa a proposta do Amigos da Escola.
Por exemplo: no primeiro mundo, voluntariado atinge o que é importante mas não essencial. Você não vai ver pessoas despreparadas substituindo professores nas escolas em nome do voluntariado. Aqui, o projeto testemunha a falência do sistema público de educação sob o disfarce do voluntariado. Em vez de o Estado cumprir a sua obrigação de oferecer ensino de qualidade a todos, passa essa responsabilidade à sociedade civil.
Por outro lado, uma organização mega-poderosa como a Globo fatura dividendos de marketing social e posa de boa moça a olhos incautos. Não existe ninguém que pense seriamente a questão da educação nesse país que engula numa boa o engodo do Amigos da Escola.

No sábado, perdi parte da cerimônia porque precisava declarar meu amor a uma grande amiga. Foi muito bom.

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