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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Pessoalmente, considero João Alexandre o melhor (se não o único) compositor evangélico desse país. Quero trabalhar a música abaixo na reunião dos jovens de minha igreja na sexta. Como não achei a letra dela na Internet, em lugar algum, a escrevi e posto agora:

Em nome da justiça...

(João Alexandre)

Enquanto a violência acabar com o povão da baixada
E quem sabe tudo disser que não sabe de nada...
Enquanto os salários morrerem de velhos nas filas
E os homens banirem as leis ao invés de cumpri-las...

Enquanto a doença tomar o lugar da saúde
E quem prometeu ser do povo mudar de atitude...
Enquanto os bilhetes correrem debaixo da mesa
E a honra dos nobres ceder seu lugar à esperteza...

Não tem jeito não, não tem jeito não...

Só com muito amor a gente muda essa país,
Só o amor de Deus pra nossa gente ser feliz...
Nós, os filhos Seus, temos que unir as nossas mãos
Em nome da justiça, por obras de justiça...
Quem conhece a Deus não pode ouvir e se calar,
Tem que ser profeta e Sua bandeira levantar...
Transformar o mundo é uma questão de compromisso,
E muito mais e tudo isso...

Enquanto o domingo ainda for nosso dia sagrado
E em nome de Deus se deixar os feridos de lado...
Enquanto o pecado ainda for simplesmente um pecado,
Vivido, sentido, embutido, espremido e pensado...

Enquanto se canta e se dança de olhos fechados,
Tem gente morrendo de fome por todos os lados...
O Deus que se canta nem sempre é o Deus que se vive, não,
Pois Deus se revela, se envolve, resolve e revive

E não tem jeito não, não tem jeito não...

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