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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Esta semana tive uma experiência fantástica. Vocês devem estar cientes de que há alguns meses comecei a desenvolver os sintomas da síndrome do pânico. Semana passada estive bem mal. Provavelmente porque a inatividade está me amofinando em meu quarto. Ou seja, enquanto minhas aulas não recomeçarem devo resistir bravamente.
Mas vamos à experiência. No meio da crise me apavorei, quase ao ponto do desespero, com a idéia de que tudo o que creio, especialmente a respeito do sacrifício de Jesus, pode ser falso. As minhas noites foram longas, encurtadas pela pílula rosa do Lexotan.
No sábado, fui ao Neves, como é costume, jogar xadrez. Só estávamos lá eu, Jurandir (o professor) e mais um garoto, Tales. Jurandir tem uma sede incrível de conhecimento acerca de Deus e da Bíblia. E nós costumamos ter conversas longas e proveitosas a respeito do assunto. Nessa tarde, Tales ouvia tudo quietinho. Até que se manifestou. Agnóstico. E começou a me empurrar contra a parede. Querendo me convencer que Deus é estória da Carochinha e, principalmente, que ciência e fé são antagônicos ao ponto de que se uma for verdade a outra é falsidade. E não adiantava nem eu tentar dizer que estou caminhando na direção de ser um cientista (social) e mesmo assim, cria.
Conversamos longamente. Quase duas horas. Foram horas em que eu refletia, e o convidava a refletir, acerca do Projeto Inteligente que a natureza revelava. Da beleza, da estética, da ética, do amor. Da perfeição. Eu olhava o céu e as estrelas, a infinitude aparente do universo sobre minha cabeça. A grandeza do Dono do pedaço que a Obra revelava. Era impossível fugir disso: há um Deus Magnífico que criou tudo e nos amou de maneira também magnífica.
Então, eu me toquei. E antes de ir embora, agradeci enormemente àquele jovem ateu. Ele me fez perceber o quanto eu creio e em Quem eu creio; miserável pecador, indigno de um amor tão fantástico, em dúvidas várias vezes, errando com consciência: mas ciente da Sua Grandeza.

Cristo vai voltar, acredite ou não
E vem pra julgar, pra dar uma decisão...

Acredite ou não...
(Sérgio Pimenta)

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