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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Esta semana tive uma experiência fantástica. Vocês devem estar cientes de que há alguns meses comecei a desenvolver os sintomas da síndrome do pânico. Semana passada estive bem mal. Provavelmente porque a inatividade está me amofinando em meu quarto. Ou seja, enquanto minhas aulas não recomeçarem devo resistir bravamente.
Mas vamos à experiência. No meio da crise me apavorei, quase ao ponto do desespero, com a idéia de que tudo o que creio, especialmente a respeito do sacrifício de Jesus, pode ser falso. As minhas noites foram longas, encurtadas pela pílula rosa do Lexotan.
No sábado, fui ao Neves, como é costume, jogar xadrez. Só estávamos lá eu, Jurandir (o professor) e mais um garoto, Tales. Jurandir tem uma sede incrível de conhecimento acerca de Deus e da Bíblia. E nós costumamos ter conversas longas e proveitosas a respeito do assunto. Nessa tarde, Tales ouvia tudo quietinho. Até que se manifestou. Agnóstico. E começou a me empurrar contra a parede. Querendo me convencer que Deus é estória da Carochinha e, principalmente, que ciência e fé são antagônicos ao ponto de que se uma for verdade a outra é falsidade. E não adiantava nem eu tentar dizer que estou caminhando na direção de ser um cientista (social) e mesmo assim, cria.
Conversamos longamente. Quase duas horas. Foram horas em que eu refletia, e o convidava a refletir, acerca do Projeto Inteligente que a natureza revelava. Da beleza, da estética, da ética, do amor. Da perfeição. Eu olhava o céu e as estrelas, a infinitude aparente do universo sobre minha cabeça. A grandeza do Dono do pedaço que a Obra revelava. Era impossível fugir disso: há um Deus Magnífico que criou tudo e nos amou de maneira também magnífica.
Então, eu me toquei. E antes de ir embora, agradeci enormemente àquele jovem ateu. Ele me fez perceber o quanto eu creio e em Quem eu creio; miserável pecador, indigno de um amor tão fantástico, em dúvidas várias vezes, errando com consciência: mas ciente da Sua Grandeza.

Cristo vai voltar, acredite ou não
E vem pra julgar, pra dar uma decisão...

Acredite ou não...
(Sérgio Pimenta)

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